José Reis: Escavações de ontem originaram-se a partir das primeiras evidências encontradas em 2004

Foto: José Reis: Escavações de ontem originaram-se a partir das primeiras evidências encontradas em 2004

DE PP AO MUNDO!

Sítio paleontológico recebe novas escavações e aviso de tombamento

“Em nível de América do Sul, e mundial, o espaço é o mais rico em fósseis de aves”, diz o coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava

  • 17/05/2019 16:31
  • GABRIEL BUOSI - Da Reportagem Local

Quem passou durante todo o dia de ontem nas proximidades da Avenida Odinir Marangoni, no Parque dos Girassóis, em Presidente Prudente, presenciou uma cena comum de se ver em filmes, mas que causou certa curiosidade na população pelo ineditismo. É que pelo menos sete pesquisadores, brasileiros, americanos e argentinos, iniciaram novas escavações no sítio paleontológico da cidade, que fica ao lado dos prédios do São João, local em que já foram encontrados fósseis de aves do período cretáceo, que viveram há 70 milhões de ano. “Em nível de América do Sul, mas também mundial, o espaço é o mais rico em fósseis de aves da época dos dinossauros e o primeiro dia de trabalho [ontem] já nos rendeu bons frutos”, comenta o pesquisador e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília (SP), William Nava. Com o feito, e por saber da importância da cidade para a história, o prefeito Nelson Roberto Bugalho (PTB) esteve no local e anunciou, além do tombamento do espaço, a intenção de cercar a área ainda neste ano. “É um fato que coloca Prudente dentro do contexto da paleontologia e pesquisas mundiais”. O grupo segue na cidade até o dia 21.

A equipe é formada por pesquisadores do Museu de Paleontologia de Los Angeles, nos Estados Unidos da América, universidades argentinas, além do pesquisador do Museu de Paleontologia de Marília, e ainda ontem ministrou uma palestra para professores, pesquisadores e acadêmicos de toda a região no auditório da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), com detalhes do valor histórico dos fragmentos encontrados em Prudente. “Tudo teve início a partir da evidência, em 2004, de que aqui havia pequenos ossos de aves. Desde antão, passamos a trabalhar esse material e concluímos que, de fato, os animais primitivos habitaram a cidade e foram fossilizados, o que não é tão comum de se encontrar, como é o caso dos dinossauros, principalmente por serem itens pequenos”, explica.

Segundo William, possivelmente, o espaço que fica no Parque dos Girassóis contou com um soterramento rápido há milhões de anos, o que fez com que fossem preservados os materiais para os dias de hoje. “Isso nos permite uma série de informações e a possibilidade de entender esses animais, como se eles eram carnívoros ou não. Essa resposta nós já temos, pois encontramos os dois grupos e que viviam no mesmo espaço, algo muito interessante”. Além disso, ele ressalta que com a quebra das rochas no primeiro dia, além dos fragmentos das aves, foram localizados também dentes de crocodilos e escamas de peixes, o que faz com que a ação tenha sido um sucesso. “Esperamos encontrar ainda mais até dia 21”. Posteriormente, os achados serão encaminhados para Marília.

O prefeito, por sua vez, esteve presente na tarde de ontem para conversar com o grupo e comentou que já solicitou um levantamento para saber os custos para cercar o ambiente, na ideia de tombar o terreno e preservar o local. “Essa é uma área pública, por isso, pretendemos criar um parque municipal ou algo com melhor definição de nome, para proteger toda essa área, inclusive isso deve ocorrer ainda neste ano”. O tombamento será feito por meio de decreto e o parque por meio de Projeto de Lei, a ser enviado para a Câmara Municipal.  

Histórico na cidade

Em outubro de 2017 este diário noticiou que a área em questão é considerada como o único local no continente americano com uma “quantidade expressiva” de ossos preservados desde a era dos dinossauros. Na ocasião, foi revelada a retirada de cerca de mil fósseis de um grupo extinto de aves, a espécie Enantiornithes. “A maioria do material coletado estava desarticulado. O local foi provavelmente um depósito de ossos, resultado de um canal de água, que transportava a matéria orgânica ao fundo”, informou William à época.