Transtornos visíveis

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 26/04/2020
Horário 09:00

As pessoas estavam levando a vida conforme Deus permite. As coisas fluíam na naturalidade possível. Quem trabalho tinha, saía para trabalhar; quem não o tinha, saía para procurar. Mercado, feira, farmácia, shopping, restaurante, ônibus, trânsito, parques, piscinas públicas, centros de convivência, creches, asilos, mercados, postos de saúde, igrejas... agitação. As crianças saíam para a escola, os jovens para a faculdade... a vida acontecia.

De repente, de um longínquo canto do mundo, um invisível vírus transtorna a rotina não apenas daquela localidade e província. Alastra-se. Voa, cruza fronteiras com ou sem muros, secas ou molhadas... cruza o oceano, vence montanhas, não escolhe pobres ou ricos. Ele avança, destrói. As pessoas amedrontam-se, talvez pela sensação causada pelo noticiário. Não tivesse a imprensa... teria apenas a pandemia, não a informação sobre ela.

O novo ministro da Saúde falou em combater as notícias falsas sobre o vírus e a necessidade de ter informações sobre o vírus e a doença para, então, organizar uma estratégia de combate. Informação não é o problema, talvez, a ênfase nos pontos negativos. De todo modo, o mundo se viu obrigado a trocar o pneu do seu carro sem poder parar. Sem pit stop. Pior, sem noção de qual pneu usar, sem saber qual a origem e a qualidade do material. Assim, as pessoas singram a sua trajetória no lusco-fusco, na precariedade da existência, dos meios, da confiança em si e nos outros.

Há quem tranquilamente age como se nada estivesse acontecendo e na torcida (ingênua) tenta negar a realidade. Ao tratar com um esclarecido amigo sobre a possível subida de casos no interior do Estado em no máximo três semanas, ele disse: “acho que não”. Ao ser confrontado com o estudo de importantes universidades paulistas, reforçou: “mas eu acho que não”. Em tom, talvez, jocoso, sentenciou: “para Deus nada é impossível”. Sem duvidar do impossível divino, há que se fazer o possível humano (para o dilúvio, Noé construiu a arca). Há muito a melhorar.

Negar a realidade por desconhecimento ou por torcida faz uma pessoa melhor em quê? É preciso recorrer aos psicólogos. O mundo fantasioso das crianças é aceitável a certa idade, mas não parece salutar alimentá-lo quando a infância ficou para trás. Em ‘terra brasilis’, para piorar o ruim, assiste-se a um embate que envolve o governo federal e o seu líder máximo. A família adoecendo (morrendo) e o pai caçando briga com os membros que não lhe satisfaz. Pode até dar certo, pois “para Deus nada é impossível”... Triste!

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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