Violência doméstica: notificações podem aumentar

EDITORIAL -

Data 04/04/2020
Horário 04:20

Os crimes contra a mulher ocorrem a todo momento. Apesar do crescimento no número de registros no Estado de São Paulo, conforme balanço mensal da SSP (Secretaria de Segurança Pública) - o que mostra a coragem da vítima em fazer a denúncia -, muitas ainda sofrem caladas e acabam por guardar a violência entre quatro paredes. No entanto, uma medida adotada ontem pelo Estado poderá ser o pontapé para mudar este cenário. A partir de agora, a Delegacia Eletrônica (www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br) da Polícia Civil passa a registrar crimes de violência doméstica.

Mas isso não quer dizer que as DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) deixarão de atender às vítimas, muito pelo contrário, uma vez que a medida é mais uma alternativa para encorajar as mulheres a denunciarem seus agressores, seja da violência emocional ou física. Ainda mais no período de quarentena em decorrência do novo coronavírus, quando a convivência dentro de casa junto com o agressor tende a ser mais frequente, o que resulta em discussões que podem levar às agressões – até mesmo à morte (feminicídio), se não denunciadas.

Mas é válido lembrar que antes dessa alternativa, as mulheres já vinham demonstrando o seu empoderamento, característica conquistada ao longo dos anos e que tende a ser crescente. A violência doméstica não escolhe idade ou local para ocorrer, mas dentro de casa os crimes são mais constantes. Nesta semana, a reportagem trouxe casos que chocaram. Em Teodoro Sampaio, a jovem teve parte do nariz quebrada após levar socos no rosto pelo namorado. Antes disso, ela já o havia denunciado por agressões, mas reatou por acreditar “na mudança”. Em outra ocorrência, em Martinópolis, uma auxiliar de enfermagem foi assassinada pelo marido com três tiros.

Crimes como esses estão mais perto do que se imagina e precisam ser combatidos. Imagina nos próximos meses, já que agora os registros podem ser feitos on-line? Mas para que isso ocorra, é preciso que haja denúncia. Mesmo com o medo de represália ou abalos emocionais, a mulher precisa e deve tomar coragem para colocar o agressor atrás das grades. Com a inovação tecnológica oferecida pelo Estado, a tendência é de que o medo não se sobreponha à determinação da vítima ao ver que ela pode estar acima do agressor. 

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