Para o urologista Dr. Felipe Moura, o tratamento do paciente ostomizado não termina com o fim de um procedimento cirúrgico. Ele começa, de fato, quando o paciente passa a conviver com uma nova realidade e precisa ser acolhido, orientado e tranquilizado. Essa foi a principal mensagem do médico ao falar sobre a atenção dedicada a esse público no HE (Hospital de Esperança).
“A reabilitação não é só cirúrgica. Não é dar alta e encerrar o cuidado. É dar respaldo, sanar dúvidas e mostrar ao paciente que ele não está sozinho”, afirmou.
CONSCIENTIZAR PARA REDUZIR O MEDO
Segundo Dr. Felipe, o momento em que o paciente recebe a notícia de que precisará conviver com uma estomia costuma ser marcado por medo, insegurança e impacto emocional. A sensação de carregar uma marca — mesmo que temporária — afeta não apenas o paciente, mas também a família.
“É uma notícia que assusta. Assusta o paciente e assusta a família. Por isso, a conscientização e a tranquilização são fundamentais”, ressaltou.
O médico lembrou que muitos pacientes atendidos pelo hospital vêm de contextos simples e, muitas vezes, não possuem informações prévias sobre o cuidado necessário. Em vários casos, quem assume o cuidado diário é um familiar, o que amplia ainda mais a necessidade de orientação adequada.
EDUCAÇÃO COMO PARTE DO TRATAMENTO
Para Dr. Felipe Moura, educar é cuidar. Ele destacou que o avanço no atendimento ao paciente ostomizado passa, obrigatoriamente, por processos contínuos de informação, treinamento e diálogo.
“Todo esse processo de educação e informação é muito importante. Ele muda a forma como o paciente encara o tratamento e melhora a adesão ao cuidado”, explicou.
O médico ressaltou ainda a importância do trabalho multiprofissional e do apoio de programas que ajudaram a estruturar protocolos, capacitar equipes e oferecer suporte técnico ao longo dos anos.
O PACIENTE VISTO DE FORMA INTEGRAL
Na avaliação do urologista, o maior avanço não está apenas em tecnologias ou estruturas, mas na mudança de mentalidade. “Estamos evoluindo para um modelo em que o paciente é visto de forma integral”, afirmou.
Esse cuidado começa desde o primeiro contato com o hospital, passa pelo atendimento clínico e cirúrgico e segue após a alta, no acompanhamento e no suporte contínuo.
HUMANIZAÇÃO QUE GERA ESPERANÇA
Ao concluir sua fala, Dr. Felipe Moura reforçou que o tratamento oncológico, apesar de difícil, pode ser vivenciado de forma menos dolorosa quando há suporte humano e empatia.
“Cuidamos de pessoas. E quando oferecemos suporte, informação e acolhimento, conseguimos aliviar o peso do tratamento. Essa é a missão do hospital: oferecer esperança e cuidado”, concluiu.
A abordagem defendida pelo médico reforça a importância de olhar para o paciente ostomizado não apenas como um caso clínico, mas como alguém que precisa ser ouvido, orientado e amparado em todas as etapas do tratamento.