"A um passo da eternidade"

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 06/04/2021
Horário 07:30

Uma das mais clássicas cenas de beijo da história do cinema é a deste filme, com Burt Lancaster e Deborah Kerr em uma tórrida cena na beira do mar. “A Um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity) é um drama de guerra que alinhavava várias histórias entrelaçadas em um alojamento do Exército americano em 1941 à beira do ataque japonês a Pearl Harbor. Três histórias principais: A esposa (Deborah Kerr) do capitão local inicia um romance às escondidas com um sargento (Burt Lancaster). Um recém-chegado soldado (Montgomery Clift) se recusa a voltar lutar boxe, preferindo tocar corneta no quartel e é submetido a uma série de torturas e humilhações pelos seus superiores. E um temperamental cabo (Frank Sinatra) é preso por insubordinação, ficando nas mãos de um sádico sargento (Ernest Borgnine). Um grande filme e um marco da produção de Hollywood que ganhou oito de suas 13 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção (Fred Zinnemann), Melhor Ator Coadjuvante (Frank Sinatra) e Atriz Coadjuvante (Donna Reed). 
 

“Gerontolescentes”

O último “Globo Repórter” levado ao ar em 2 de abril de 2021 trouxe uma excelente reportagem sobre a geração acima dos 50 anos que não quer saber de descanso. E realmente é necessário que tenhamos uma nova visão sobre esta idade intermediária entre a vida adulta e a velhice: estar entre os 50 e 70 anos. Considerados muito coroas para serem adultos e muito jovens para serem velhos, ficam com um pé cá outro lá, representando uma etapa de transição que pode ter um novo olhar. Não dá mais pra imaginar que pessoas nesta faixa etária representem aquelas antigas imagens da vovó de avental e vovô na cadeira de balanço: o mundo mudou, e as pessoas mudaram junto. Ter 50 anos hoje não é mais como ter 50 anos em 1970, onde a expectativa de vida era cerca de 20 anos a menos do que a atual. É uma etapa de recomeços e despertares, e não mais de lamúrias e saudosismos juvenis improdutivos. Considerados velhos para o mercado de trabalho e jovens para a aposentadoria, são obrigados a se reinventar e elaborar novas estratégias de vida e produção econômica. Os cinquentões podem não ter mais a mesma energia física de antes, mas têm habilidades preservadas e criatividades aguçadas: chega de pensar que emburrecemos ou paramos de criar ao envelhecer. Quem é inventivo, será sempre. E quem não é, pode treinar a engenhosidade seja jovem ou idoso. Ao invés de ficarem reclamando sobre as perdas naturais da velhice, arregaçam as mangas e aproveitam o tempo e as experiências para terem uma vida mais feliz: muitas vezes mais desacelerada e com uma peneira mais eficiente, a sabedoria. Um dos termos utilizados no programa representa bem este novo conceito: gerontolescente. O conceito de gerontolescência vem do médico e presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil (ILC), Alexandre Kalache, um dos mais nomeados geriatras do Brasil. Representam aqueles que vivem mais e melhor, com orgulho da idade e que querem ser produtivos. São hoje uma geração que lutou no passado contra o racismo, o autoritarismo político, a homofobia, a favor dos direitos da mulher e do empoderamento dos cidadãos. É preciso saber gerontolescer. 

Dica da Semana

Livros

“Velhos São os Outros”:
Autora: Andréa Pachá. Editora Intrínseca. A autora é juíza com experiências em julgamentos de testamentos, inventários e curatelas. Baseadas nestas vivências, ela cria histórias e personagens sobre a longevidade, com um olhar humano sobre a velhice, suas dores, alegrias, descobertas e perdas.
 

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