“Ainda estou em fase de reabilitação, mas confesso, estou feliz como nunca”

Uma postagem acompanhada de um vídeo tendo ao fundo o louvor “Faz um milagre em mim”, que teve uma repercussão emocionante! Isso foi o que aconteceu com a cirurgiã dentista e atleta Raquel Trevisi, 22 dias após receber alta da UTI

Personagem - OSLAINE SILVA

Data 03/11/2020
Horário 04:05
Cedida - Imagem da felicidade: Raquel com toda sua família no último fim de semana. Em pé, a cunhada Mariana e o irmão Rafael, o esposo Rodrigo, a irmã Renata e o cunhado Fábio; sentados, a mamãe Maria Alice, o papai Hugo e ela; e sentados, o filho Pedro Henrique, as sobrinhas Maria Júlia Maria Fernanda, Manuela, a filha Anita e a sobrinha Catarina!
Cedida - Imagem da felicidade: Raquel com toda sua família no último fim de semana. Em pé, a cunhada Mariana e o irmão Rafael, o esposo Rodrigo, a irmã Renata e o cunhado Fábio; sentados, a mamãe Maria Alice, o papai Hugo e ela; e sentados, o filho Pedro Henrique, as sobrinhas Maria Júlia Maria Fernanda, Manuela, a filha Anita e a sobrinha Catarina!

Uma postagem acompanhada de um vídeo tendo ao fundo o louvor “Faz um milagre em mim”, que teve uma repercussão emocionante! Isso foi o que aconteceu com a cirurgiã dentista e atleta Raquel Trevisi, 22 dias após receber alta da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), curada da Covid-19! Ela publicou um relato em seu Instagram sobre as mensagens de incentivo e carinho que tem recebido das pessoas. E no post o vídeo em que ela aparece meio que retomando aos treinos, remando e exaltando a Deus! Vale a pena refletir cada palavra dela aqui exposta. A Covid deixa muitas sequelas, mas Deus é maravilhoso!

 

Como agradecer a Deus pelo milagre da vida após essa experiência de quase morte, Raquel?

Minha vivência não foi de quase morte, mas foi de morte mesmo. Passei por várias tormentas (espiritualmente falando) até meu encontro com Ele. Ajoelhei frente a Deus, me entreguei, pedi perdão e misericórdia, e Ele me trouxe de volta, para criar meus filhos, estar com minha família e dar meu testemunho do milagre da vida. Digo que Deus é tão maravilhoso que me permitiu viver e lembrar de minha passagem pela UTI, das pessoas, das conversas, dos procedimentos, de minhas lágrimas escorrendo com os áudios e vídeos que colocavam para eu ouvir quando ainda estava em coma. Não foi como dormir e acordar. Eu vivi cada momento lá dentro, sem medo ou sofrimento. Sei que somente assim poderia dar meu testemunho, tocar e transformar vidas.

 

Qual o sentimento em saber que tantas pessoas oraram e ainda oram por você?

Não tem como eu falar de Deus e não dizer sobre toda corrente de oração que tocou, não só nossa comunidade aqui, mas o mundo todo. Foi uma corrente Divina que eu sentia em minha alma em todos instantes, me alimentava ainda mais de força e fé. Sou grata eternamente por Deus ter usado (e ainda usa) cada um de vocês, que oraram e oram por mim, como Sua grande fonte de luz, Sua corrente que cura.

Desde minha internação me entreguei a equipe médica, sem questionar, absolutamente nada. Aceitei sem hesitar. Os médicos, Dr. Alexandre Portelinha, Dr. Osmar Marchioto Jr., Marcelo Araújo do Valle, Daniela Von Ah Lopes Silva, Luis Felipe Pires, Guilherme Almeida Costa, Valdinei Bresqui, José dos Reis, Renato Frederico, a chefe de enfermagem da UTI Renata Cazuza e toda equipe do Hospital Iamada, todos muito bem preparados, é lindo em ver o empenho e amor de cada um deles! Além da competência, creio na influência Divina sobre cada um deles! Tem muito mais pessoas para agradecer. Mas elas sabem quem são.

 

Como tem sido sua rotina de recuperação após a Covid-19?

Minha rotina é a mesma todos os dias e tudo bem organizado, fisioterapia duas vezes ao dia, alimentação bem controlada e descanso bem programado, só assim para recuperação total. Ainda não voltei a malhar. Na verdade tudo o que faço de "exercício físico" faz parte da minha fisioterapia. Postei o vídeo remando para mostrar a vocês e a mim mesma que podemos sempre mais, não podemos nunca entrar na zona de conforto, senão estagna a evolução. Faço ali no máximo 10 minutinhos na carga leve, sem deixar a frequência subir, e nada mais. Sobre exercícios físicos sigo as orientações do meu cardiologista Dr. Osmar Marchioto Jr., onde pós Covid grave os cuidados são muito grandes nesse sentido, exercício físico pode ser feito de leve a moderado apenas com monitoramento, e de alta intensidade (como eu fazia) apenas seis meses pós a cura da doença.

 

Ainda tem sequelas da doença?

Muitas sequelas. Muita gente vê meus vídeos acredita que eu estou quase 100%, mas não é bem assim. Continuo em uma luta na reabilitação, tenho que fazer um grande esforço para andar. Costumo dizer que parece que estou carregando correntes. Tenho muitas limitações em levantar as pernas, braços, não consigo subir escadas, tenho que ter apoios para levantar, parestesia nas extremidades (braços, pés, pescoço e cabeça) e trato a trombose no braço e perna esquerda que tive durante minha internação na UTI. Além de tudo tem a motricidade fina que foi a mais afetada e a que mais demora para voltar, como escrever, movimentos com os dedos, os essenciais para voltar a trabalhar.

 

Quais foram os maiores aprendizados nesse período de convalescença?

Pode parecer loucura, mas viver a reabilitação tem sido algo maravilhoso, pois somente assim conseguimos viver na pele o outro lado da vida, o lado da deficiência física. Claro que foi temporário, mas passei por várias fases como mexer apenas os olhos, apenas os dedos, passei pelo processo em não conseguir sustentar o tronco, não conseguir dar um abraço, não ter forças para tirar o lençol sobre o corpo, aprender a rodar a cadeira de rodas, ficar em pé, dar os primeiros passos, e assim vai. Ainda estou em fase de reabilitação, mas confesso, estou feliz como nunca. Isso nada mais é que Deus presente em minha vida.

 

Para quem desconhece, vamos mostrar ao leitor como era sua rotina de atleta antes da doença?

Fui atleta de natação quando criança, até meus 13 anos, competia quase todo final de semana. Depois o esporte (musculação) começou a fazer parte de minha rotina há 15 anos. Fiz por alguns anos e há 7 iniciei Crossfit. Treinei por alguns anos em academia, mas com o tempo a rotina em ficar muito tempo fora de casa começou a me incomodar, percebi que não conseguiria ser feliz me dedicando ao trabalho, filhos, família e treino ao mesmo tempo. Percebi que não estava sendo completa e que para ser atleta, continuar participar de competições, eu teria que fazer diferente. Então, prometi pra mim mesma que eu só seguiria a vida de atleta se eu tivesse o meu próprio espaço em casa. Foi aí que comecei a adquirir meus próprios equipamentos para treino. E assim encaixava meus treinos conforme minha rotina de trabalho e cuidados com meus filhos. E durante a quarentena não foi diferente, treinando diariamente no meu próprio espaço de treino.

 

Defina o esporte para você.

O esporte é algo essencial na minha vida, me faz sentir viva, me faz sentir como posso influenciar positivamente na vida do outro, incentivando a atividade física, mostrando que não podemos deixar nossas desculpas diárias interferir em nossa saúde. Que podemos sim trabalhar, ter filhos, ter qualquer que seja a condição financeira ou física, que podemos ser nosso próprio motivo para seguir em frente. E desde que internei minha condição física e minha garra para lutar foi essencial a minha sobrevivência. Creio que fui preparada fisicamente e mentalmente por todos esses anos para que hoje eu me recupere de forma extraordinária. Tenho surpreendido a todos com minha recuperação de tantas sequelas, além de eu ter um maravilhoso trabalho com minha fisioterapeuta Raquel Napolitano (@napolitanodeazevedo da @movimentare), a minha memória muscular e força de vontade que eu tinha com meus treinos, hoje estão sendo muito bem utilizadas em minha reabilitação.

 

Fale um pouquinho desse carinho todo manifestado a você pelas redes sociais. E a emoção de ver sua família ao sair do hospital.

Meu encontro na saída do hospital foi maravilhoso, um sentimento indescritível! Ver minha família depois de 30 dias de luta, meus pais, Maria Alice e Hugo, meus filhos (Anita e Pedro Henrique), meu esposo (Rodrigo), minha irmã Renata, sobrinhas Maria Júlia e Maria Fernanda foi um verdadeiro renascimento, tanto meu quanto deles. Mesmo não conseguindo abraçar, foi o melhor abraço de minha vida. Hoje essa corrente nas mdias sociais tem tomado uma proporção enorme, recebo centenas de mensagens por dia e meu coração transborda com cada uma. Sinto que Deus, através de minha história, esteja transformando, salvando vidas. Fui Seu instrumento e hoje tenho uma grande e linda missão pela frente. Como não me sentir agradecida e abençoada com tudo isso?

 

"AINDA ESTOU EM FASE DE REABILITAÇÃO, MAS CONFESSO, ESTOU FELIZ COMO NUNCA. ISSO NADA MAIS É QUE DEUS PRESENTE EM MINHA VIDA"

foto: Luiz Livramento

 

SERVIÇO

Foto: Jonathan Camargo - Quer acompanhar a reabilitação e testemunhar a força e a fé de Raquel Trevisi? Siga ela no https://www.instagram.com/p/CG2ewOupXc3/

 

 

Foto: Luiz Livramento - Raquel foi uma das 12 selecionadas para participar do Campeonato Brasileiro de Crossfit, 2018 e 2019

 

Foto: Reprodução Instagram - “Tenho que fazer um grande esforço para andar”

 

Foto: Joy - A força de Raquel antes da doença é ainda maior hoje; na foto ela rema em aparelho igual de seu vídeo  publicado no Instagram

Veja também