"Câncer de intestino é o 3º mais letal no Brasil", alerta Dra. Josiane Cihoda

SINOMAR CALMONA

Coloproctologista destaca que, apesar do aumento expressivo nos casos, diagnóstico precoce oferece até 90% de chance de cura

COLUNA - Sinomar

Data 01/02/2026
Horário 04:45
Josiane Cihoda, coloproctologista
Josiane Cihoda, coloproctologista

Durante a entrega de novas instalações no HE (Hospital de Esperança), a Dra. Josiane Cihoda, médica coloproctologista, trouxe dados contundentes sobre o avanço do câncer colorretal no país. O foco de sua fala foi a necessidade urgente de mudar a percepção da sociedade sobre a doença e seu tratamento.
A Dra. Josiane pontuou que o cenário do câncer de intestino no Brasil é de crescimento acelerado, exigindo atenção redobrada da população e do sistema de saúde.
"O câncer de intestino tem aumentado muito e alcançou o terceiro lugar nos cânceres mais letais no Brasil. Ele atinge cerca de 45 mil pessoas no ano, e 20 mil mortes por ano são por causa dele", afirmou a especialista.
A médica reforçou que o maior inimigo da mortalidade é o atraso nos exames: "O diagnóstico precoce proporciona uma cura de até 90% dos pacientes. Por isso é muito importante detectá-lo cedo."

A BARREIRA DO ESTIGMA: A "BOLSINHA" E O TRATAMENTO
Um dos pontos mais sensíveis abordados pela doutora foi a resistência dos pacientes ao tratamento devido à possibilidade da ostomia (colostomia ou gastrostomia).
 * O medo do estoma: "Os pacientes passam por momentos de muita sensibilidade. O tratamento muitas vezes envolve um estoma, provisório ou definitivo. Isso causa um grande impacto; o paciente chega querendo se tratar do câncer, mas diz: 'Por favor, eu não quero ter uma bolsinha'."
 * O isolamento social: Segundo a Dra. Josiane, o preconceito e a falta de estrutura urbana geram um isolamento severo. "Existem relatos de pacientes que não saem de casa porque têm um estoma. Eles se preocupam: 'Onde vou me limpar? Como vai ser essa higiene?'."

DIGNIDADE COMO FERRAMENTA DE CURA
Para a coloproctologista, oferecer infraestrutura adequada para esses pacientes vai além da engenharia hospitalar; é uma questão de validação do indivíduo.
"Oferecer o melhor para o paciente é fazer com que ele se sinta valorizado, visto e importante. Mostrar que estamos olhando para eles prova que esses pacientes podem ter uma vida muito próxima do que é considerado comum", concluiu.

 

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