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“Considero como a operação mais importante após a transferência da liderança” diz Gakiya

Operação Sharks, deflagrada ontem, atingiu membros da nova cúpula da facção criminosa paulista; criminosos ostentavam vida de luxo

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 15/09/2020
Horário 10:53
Ministério Público - Gakiya foi o responsável pelo pedido de transferência da cúpula da facção Foto: Ministério Público - Gakiya foi o responsável pelo pedido de transferência da cúpula da facção

Durante coletiva de imprensa ocorrida ontem na capital paulista, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), falou sobre o êxito da operação Sharks que alcançou membros da "nova cúpula" da facção criminosa paulista. Ao menos quatro pessoas foram presas e uma morreu durante confronto com a Polícia Militar em Praia Grande. Outros alvos já haviam sido detidos no decorrer da investigação, alguns estão em Presidente Venceslau e outros em presídios federais.

“Considero como a operação mais importante depois da transferência da liderança [da facção paulista] para o sistema penitenciário federal”, afirma Gakiya. “A operação ela é inovadora e extremamente importante porque nós conseguimos, através do trabalho muito bem feito, identificar e mapear toda a liderança da facção criminosa que assumiu as funções do Marcola e demais líderes”, explica o promotor.

De acordo com o representante do Ministério Público, que há anos estuda a facção que tem a maior rende advinda do tráfico nacional e internacional de drogas, os mandados de prisões atingiram as sintonias finais de rua, ou seja, aqueles que têm o poder de comandar a facção tanto dentro quanto fora do sistema prisional de todo o país.

“Não é a operação mais importante pelo número de investigados, mas pela qualidade desses investigados”, salienta. 

O objetivo da operação, deflagrada pelo Ministério Público com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque, foi dar cumprimento a 12 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão.

Os materiais apreendidos serão analisados pelas equipes do Gaeco para novos desdobramentos da investigação, o que também poderá ajudar a localizar os foragidos – incluindo o homem apontado como peça-chave da investigação, substituto de Marcola. 

Ainda segundo Gakiya, a desestruturação do gerenciamento interno e externo da organização criminosa visa a atingir também o setor financeiro do bando, já que as investigações apontaram para a remessa de milhares de dólares ao exterior, além da lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis e automóveis.

“Vida de luxo”

Conforme noticiado por este diário, durante as buscas foi apreendida quantia superior a R$ 100 mil em dinheiro vivo. Diversos veículos de luxo e porções de drogas também foram recolhidos, bem como uma pistola calibre 9mm, munição e oito cartuchos de emulsão explosiva (TNT). 

Os agentes encontraram também diversos equipamentos eletrônicos e documentos, parte dos quais relacionados à propriedade de bens. 

Segundo o Ministério Público, além do elevado poder decisório e a proximidade com a cúpula presa, está o fato de que todas ostentam vida de luxo, com múltiplos imóveis, carros de luxo, quando não residem fora do país e com seus gastos pagos pela própria facção, em completa distinção da base da facção, formada por população em vulnerabilidade social, moradora, no mais das vezes, de regiões periféricas. 

“Aqueles que não foram presos passam a ser procurados pela polícia, e em breve, certamente, estarão presos e serão isolados como os demais líderes já foram”, considera o promotor Lincoln Gakiya.

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