“Gestão estadual é ‘ambígua’ no agro, mas há otimismo com nova interlocução”, avalia Biancardi

Cristiano Machado

COLUNA - Cristiano Machado

Data 18/06/2021
Horário 06:20
Foto: Arquivo / O Imparcial
Biancardi: “Há um otimismo e esperança que a gente vai ter um canal de interlocução”
Biancardi: “Há um otimismo e esperança que a gente vai ter um canal de interlocução”

A pedido do “Agro & Negócios”, programa de rádio semanal da 101 FM de Presidente Prudente (SP), aos domingos, das 7h às 8h, o presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente, Carlos Roberto Biancardi, fez uma avaliação sobre a condução das políticas públicas voltadas ao campo pelo governo do Estado de São Paulo. Ele falou também sobre a expectativa da troca no comando da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Itamar Borges, deputado estadual do MDB licenciado, completa nesta sexta-feira 18 dias no cargo. Para Biancardi, em relação ao agro, o Executivo estadual tem tido atuação ambígua. “A atual gestão do governo do Estado tem tido atitude até certo ponto ambígua em relação ao agronegócio. Tivemos um confronto relacionado aos aumentos das alíquotas [do ICMS] dos produtos do agro como leite, carnes e diesel, e isso desagradou a categoria, mas felizmente houve um recuo. Isso mostrou uma boa disposição do governo para encontrar solução”, disse na entrevista.

Ele vê o ingresso de Borges com otimismo e acredita que os produtores terão novo canal de interlocução. “Há um otimismo e esperança que a gente vai ter canal de interlocução

É um político emergente e com atuação eficiente”, ressaltou, além de citar que conhece o setor e o interior. Borges tem sua base eleitoral em São José do Rio Preto e Araçatuba, cidades próximas a Presidente Prudente (oeste paulista).

 

Soja em expansão

Soja continua em expansão no Estado de São Paulo, revelam o IEA (Instituto de Economia Agrícola) e da CDRS/CATI (Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável). A área de plantio foi ampliada em 5,2%, totalizando 1,16 mil ha. Também positivas são as estimativas de produção, 6,4% superior à de 2019/20 (4.083 mil/t); e de produtividade, 1,2% maior (3,4t/hectare).

Produção de grãos

A colheita de grãos deve somar 9.967,8 mil toneladas, montante 5,6% superior ao obtido na safra anterior. O conjunto das culturas anuais apresenta expansão de 1,5% na área plantada, crescimentos de 4,2% na produção e de 2,6% na produtividade, devido ao bom desempenho do grupo dos grãos, especialmente soja, amendoim e milho safrinha.

O inverso da soja

Milho: O atual levantamento estima em 323,6 mil ha a área total destinada ao cultivo do Milho – 1ª Safra, espaço 8,3% inferior ao último ciclo. Ao contrário da soja, que vem em constante avanço de área, o milho segue caminho oposto. Em relação à produção, houve queda em relação ao levantamento de fevereiro de 2021, em virtude possivelmente do clima mais seco do que a média de anos anteriores. Os resultados apontam redução de 0,5% na produtividade e queda de 8,7% na produção em relação à safra 2019/20.

Volume baixo de chuvas

Milho safrinha: As incertezas sobre a produção ainda permanecem, devido à previsão de volume baixo de chuvas em maio e calendário produtivo atrasado em virtude do plantio tardio da soja 2020/21. De qualquer forma, a expansão da área cultivada, estimada em 501,5 mil ha, já é uma certeza, expansão de 4,1% em relação àsafra passada. Sobre a produção, os resultados são positivos, com aumento de 23% em relação a 2019/20. Contudo,essa possibilidade pode não ser confi rmada se as condições climáticas forem adversas, alertam os pesquisadores.

90% da safra do país

Amendoim: a área tem previsão de crescimento de 9,3% em relação à safra passada, totalizando 168,4 mil ha, e de 5,4% na produção, chegando a 658,7 mil toneladas. A expectativa de produtividade é próxima a 156 sacas de 25 kg (3,9 t/ha). São Paulo continua sendo o maior produtor nacional de amendoim em grão, respondendo por aproximadamente 90% da safra brasileira.

 

“Estávamos praticamente sem assistência técnica; Sem a Casa da Agricultura a gente se sente sozinho” presidente da Associação de Produtores Rurais de Agissê, distrito do município de Rancharia, Leonildo Moreira também falou ao “Agro & Negócios”, da 101 FM, sobre a gestão estadual no agro. Ele criticou a proposta de fechamento de Casas de Agricultura no Estado, decisão que foi revertida, conforme anúncio do secretário Itamar Borges.

“Estávamos praticamente sem assistência técnica rural. Nós, pequenos agricultores, precisamos de assistência técnica”, disse.

Ele ressaltou que os agricultores ficaram desassistidos. “Ouvi que várias Casas de Agricultura vão continuar. Sem a Casa da Agricultura a gente se sente sozinho”, complementou. Borges anunciou que desde o último dia 14, com respeito aos protocolos de distanciamento e proteção, começaram a ser reabertas as Casas de Agricultura no Estado. A primeira reaberta simbolicamente na última semana foi em Rio Preto, reduto eleitoral do secretário de Estado. Conforme anúncio feito pelo governo estadual, a ideia era de reduzir de 600 para 150 as unidades no Estado.

“A permanência das Casas da Agricultura, que é uma referência para o agricultor, principalmente da agricultura familiar, e porta de entrada dele à Secretaria de Agricultura, é fundamental, porque extensão rural se faz olho no olho”.

Antônio Marchiori, presidente da Apaer (Associação Paulista de Extensão Rural).

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