"Jojo Rabbi"

Cinemateca

COLUNA - Cinemateca

Data 12/08/2020
Horário 06:07

Oscar

“Jojo Rabbit” é um dos filmes que participaram da corrida do Oscar de 2020 e levou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado. O filme chegou recentemente ao Telecine Play e conta com uma visão poética sobre a guerra, além de mostrar as consequências dolorosas do fanatismo. 

História

Jojo é um garotinho alemão de 10 anos, solitário, fisicamente frágil e extremamente ingênuo, que descobre que sua mãe está escondendo uma judia em casa. Com a ajuda de seu amigo imaginário, Adolf Hitler, Jojo deve enfrentar o nacionalismo cego enquanto a Segunda Guerra Mundial prossegue. Em seu processo de amadurecimento, ele descobre que as coisas que acreditava, muitas vezes estão equivocadas!

Direção

O diretor Taika Waititi cria um conceito único para abordar esse período sombrio da história recente, onde ele encontra na poesia e na visão infantil uma forma de suavizar todo o mal da época. A sensibilidade da obra é um soco no estomago nesse momento em que o negacionismo ganha força e os fatos perdem importância. 

Sensibilidade

A força da obra está justamente no roteiro, em tratar de assuntos espinhosos, mas ao invés de defendê-lo, critica-o com força. O resultado é uma série de gargalhadas e momentos em que o telespectador não acredita no que está vendo. Outro ponto chave é o respeito entre mãe e filho mesmo tendo opiniões políticas totalmente opostas.

Atuações

As atuações são o ponto alto da trama. Roman Davis, que interpreta Jojo, é um belo presente, além de Scarlett Johansson que foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante merecidamente, por atuar com graça, mesclando entre leveza e sinceridade, onde a mãe solteira se esforça para deixar a vida do filho mais pura e doce em meio à guerra. Também vale ressaltar a atuação do jovem Archie Yates, que interpreta Yorki, o melhor amigo de Jojo, uma explosão de fofura e, um amigo que toda criança sonha em ter.  

Elsa

A convivência de Jojo com a judia Elsa, escondida em sua casa (lembrando no melhor estilo “O diário de Anne Frank”), dá uma enorme riqueza ao enredo, onde há denúncias de preconceito e o questionamento das mentiras enraizadas, o que acaba impulsionando a ignorância e a intolerância. Indiretamente, o diretor faz críticas profundas ao que vivemos hoje.

Conclusão

O produto final é tocante e bastante divertido, merece ser conferido e refletido. Fazer comédia sobre o holocausto é uma missão muito difícil, mas que às vezes dá certo, como aconteceu em “A vida é bela” e agora novamente em “Jojo”, por isso, não perca tempo e assista essa outra visão de algo que já estamos “cansados” de ver.

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