“Meu maior projeto é a  recuperação dos empregos que foram perdidos na cidade”

JOSÉ LEMES (PDT) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 20/10/2020
Horário 05:30
Cedida - José Lemes é candidato a prefeito pelo PDT
Cedida - José Lemes é candidato a prefeito pelo PDT

O Imparcial dá sequência hoje a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato José Lemes Soares, do PDT (Partido Democrático Trabalhista), que aos 33 anos busca a eleição ao lado de Luís Santo Schicotti, Professor Luis, nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeito. 
Para esta sabatina com os candidatos foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Solteiro e com o ensino superior incompleto como grau de instrução no portal de candidaturas e contas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Lemes segue com o partido isolado, sem composição de coligação, em mais uma corrida eleitoral, visto que ele já se candidatou em 2016 a prefeito, quando não foi eleito, e em 2018 a deputado federal, quando ficou como suplente. Confira abaixo a entrevista.

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo?
Meu maior projeto é a recuperação dos empregos que foram perdidos na cidade. É inaceitável que a gente não se porte como a capital do oeste paulista. Aonde já se viu perder empresas daqui por falta de incentivo para ir para outras cidades da região? Nenhum outro candidato fez o que vou te falar agora, um cálculo: são cerca de 7 mil empregos perdidos por falta de habilidade política. É, por exemplo, uma redução de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ou ISS (Imposto Sobre Serviços) e os caras são muito imediatistas, são incompetentes e não botam na cabeça que as coisas precisam se feitas com agilidade e dinamismo. Eles ficam durante a campanha prometendo um monte de coisa e chega lá e parece que a busca é pelo poder, e minha busca não será pelo poder, mas pelas empresas, vamos nos portar como a capital do oeste paulista. Precisamos de pessoas que coloquem a cidade em primeiro lugar, então, recuperação de emprego e a imagem da cidade são minhas prioridades.

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade?
Se o dinheiro for aprovado, vamos executar o projeto. Na polícia não tem porque descontruir o que o outro fez, se o cara fez e está funcionando, vamos manter. Eu tenho visto a atual gestão dizendo que vai resolver a situação do Parque do Povo desde o início da gestão e eu não acredito em Papai Noel mais. Se não tiver competência para fazer, vamos chamar a iniciativa público-privada, pois dá para fazer. Eu não descansaria enquanto não conseguisse isso, temos pessoas brilhantes e gabaritadas na cidade para fazer isso. A parceria público-privada é o caminho a se seguir, buscaremos fazer isso. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente?
Na pergunta se afirma o que eu digo desde a eleição passada, nós perdemos empresas por falta de incentivo. O ISS de Prudente é de 5% enquanto que o de Regente Feijó é de 2%, a gente precisa dar incentivo. Por isso, vou criar o Pró-Empresas Prudente, para recuperar as empresas perdidas, pois não adianta falar que vai vir grandes indústrias de São Paulo, que isso é uma mentira, não vou permitir que empresas saiam de Prudente para outras regiões, vamos dar o incentivo para que elas fiquem por aqui. Sonho em ser prefeito para resolver essa situação. Falta competência política para resolver isso.

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver a situação e continuar com as negociações? 
O que falta é competência. Existem muitas cabeças pensantes, utilize das iniciativas público-privadas para fazer o dinheiro aparecer quando a Prefeitura não tiver o dinheiro para realizar determinadas obras, parece difícil, não é tão fácil quanto se fala, mas não é impossível, dá para fazer. O bom prefeito é aquele que entende um pouco das iniciativas público-privadas. Eu pretendo exaltar a equipe que me ajudou a fazer um projeto acontecer, e quando der errado, explicitar à população o que está acontecendo.

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos?
Na eleição passada falei que ia reduzir de 17 para 15 secretarias, e agora virou moda, todo mundo quer reduzir secretaria em Presidente Prudente. Onde esses caras estavam quando eu era candidato na eleição passada? Sempre foi meu foco, vamos sim pegar os melhores cargos do funcionalismo, que tem mais experiência, e manter esses cargos, mas vamos cortar muita gente sim. Ou eu serei um bom prefeito, ou estou queimado com a população. Se não cortar gastos, a Prefeitura não vai conseguir pagar nem os salários dos funcionários. Você acha justo usar o dinheiro da população para fazer pracinha de quase R$ 1 milhão? É claro que praça é importante, mas será que é mais importante do que construir uma escola no Ana Jacina ou fazer aquela que está desativada no João Domingos Netto? Eu estou preparado para ser um bom prefeito e fazer as coisas acontecerem. Não sei quantas vezes vou tentar mais, ou se vou tentar de novo, mas se for eleito, vou lutar por tudo o que eu acredito. 

Por meio do Instituto José Lemes Soares, o senhor criou o projeto “De Olho no Futuro”, que propõe a criação de conta poupança para crianças carentes. Caso seja eleito, que trabalhos pretende desenvolver com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população carente desde a infância?
Esse projeto deu educação financeira para crianças, pois tem muita criança carente que nasce sem saber cuidar do dinheiro. Esse projeto ajudou muita gente a fazer isso, claro que não foi na escala que gostaríamos, mas foi. O que pretendo se for eleito é ajudar as casas sociais, as ONGs (organizações não governamentais), instituições, associações, já que elas precisam de incentivo para continuar operando. Elas fazem muita coisa, dependem de doações e precisam do apoio maior. Precisamos colocar o que é importante à frente de coisas que não são importantes. 

Prudente foi uma cidade que se expandiu sem um planejamento efetivo do trânsito. Quais são as suas propostas para reestruturar esse sistema e, com isso, garantir a otimização da mobilidade urbana?
Tem sido uma possibilidade que vem sendo falada há muito tempo, que é a de mudar a Prefeitura de lugar e tirar ela do trânsito para descarregar as avenidas que vão e descem para o centro. Isso é muito importante, mas não pode ser nossa prioridade, mas acho que depois do segundo ano de governo dá para mudar esse lugar. Aproveitando o tema, gostaria de falar também sobre os radares. Será que eles realmente previnem acidentes? Essa é uma discussão gigante em várias cidades, e conversei com um bombeiro, que não vou citar o nome, que diz que se o cara está bêbado ele nem vê se tem acidentes, e que em números não há grande diferença. Se eu for prefeito, preciso ir atrás para ver se isso é uma coisa para gerar receita ou se realmente ajuda a diminuir acidentes. Se ajudar, fica, se não, vai sair. Já sobre a empresa de transporte, a empresa manda na Prefeitura, e a empresa tem que fazer o que a Prefeitura manda. Aqui na cidade tem que ter wi-fi, tem que ter ar-condicionado nos ônibus de maior circulação e a tarifa é muito cara, ter que ser de R$ 2,50 a R$ 3 no máximo. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos?
Sem querer me exibir, mas estudei em uma das melhores escolas do mundo, na Escócia, estudei Economia e Administração e saí com uma das melhores notas da minha turma. Me sinto preparado para governar Prudente, tenho um vice que é professor universitário, ou seja, vamos focar na educação, valorizar professores, padronizar material, construir escolas novas. Eu não quero ser o cara que fica prometendo e perde a intensidade e dinamismo, eu já sou dinâmico agora, serei ainda mais se eu for eleito e não vou descansar. Peço que o prudentino avalie todas as minhas propostas. Meu plano de governo é o mais completo de todos, foi pensado por analistas das mais diversas áreas e se baseou no orçamento do ano seguinte da cidade. O que nos comprometemos ali é algo que dá para fazer sim. 

Calendário de divulgação das entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

15 de outubro
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

Hoje
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

22 de outubro 
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

27 de outubro 
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

29 de outubro
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

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