Ânsia pela vacina

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 20/12/2020
Horário 05:30

É assaz preocupante os rumos da pandemia no país. Por um lado, por causa das autoridades políticas que não se entendem e enviam sinais contraditórios sobre qual direção seguir. Destaque-se uma ou outra frase do ministro da saúde, Eduardo Pazuello, que padecendo da Covid-19, depois de internado com sintomas fortes, afirmou que a doença é “complicada”. Disse: “Nós somos os maiores fabricantes de vacinas da América Latina. Pra que essa ansiedade, essa angústia?” Talvez as famílias prudentinas cujos entes queridos foram vítimas fatais (180) ou estejam sequelados poderiam responder ao ministro. Nesse mesmo dia 16, na apresentação do plano nacional de vacinação, sua excelência afirmou não ter um plano e isso não era o mais importante a mostrar, senão somente que “estamos todos juntos” (e sem máscara!). Para o governo que passou negando e minimizando a pandemia e as suas terríveis consequências é óbvio que agora não haja o que apresentar. Consciente da sua tarefa já teria negociado vacinas diversas.

De outro lado, o comportamento temerário de imensa maioria da população denota indiferença ou negacionismo prático na falta de cuidado em situações eletivas. Uma coisa é ser obrigado a tomar o ônibus cheio para trabalhar, outra é promover festas e aglomerações sem protocolos adequados quase a zombar do vírus (que não é nem a favor nem contra as festas, muito pelo contrário). É a prevalência do egoísmo sobre a solidariedade e o comunitário. Os antivacinas dizem: “Não vou me vacinar (quando tiver a vacina disponível) e ponto final; quem quiser que se vacine!". Não é bem assim! Imagine a seguinte situação: ao dizer “não vou me vacinar”, porque é ‘direito meu’, ‘problema meu’, e for infectado, mesmo assintomático, o vírus será transmitido para outros. Essa pessoa não teria nenhuma responsabilidade? (Dispara o revólver e não é responsável por seu ato?).

Outra hipótese. Se infectado, porque não quis vacinar-se, for para o hospital, ocupará um leito pago por todos os contribuintes e ocupará lugar de pessoa que talvez tenha feito a sua parte nos cuidados. É preciso ser luz, não ficar discutindo para prevalecer a escuridão. Quantos gastam inteligência para “fechar” o entendimento dos outros.

Seria muito melhor que este ano nas próximas festas se evitasse aglomeração e houvesse o distanciamento (ou a ausência física) do que no ano que vem (esta é a esperança!), podendo fazer festa com todo mundo, estivesse faltando alguém por causa da festa de agora. Tal consideração é mui oportuna e conveniente. Quem não sabe esperar um dia, pode perder todos os dias; quem não sabe renunciar um momento de festa pode perder a verdadeira alegria.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

 

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