O Namorado que Entrou Numa Fria

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da política e contra a politicagem

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 03/09/2020
Horário 05:37

Quem via aquele casalzinho no maior "grude" logo imaginava que o casório era uma questão de tempo. Em suma: os pombinhos subiriam brevemente ao altar e seriam declarados marido e mulher pelo padre. Ou pelo pastor e faço esta observação porque não sei qual era a religião do Marquinhos e da Célia, o casalzinho desta historinha.
Eles se encontravam quase todos os dias e trocavam carícias à vista de todos e imaginem quando não estavam à vista de todos, mas esta é outra história e vamos em frente que o Natal está chegando. O problema é que o Marquinhos era um mulherengo contumaz, diria de grife. 
Tinha outra namorada e sempre dava uma desculpa à Célia para se encontrar com a outra (sempre tem a outra ou o outro). Teve uma noite em que ele fingiu estar doente na casa da Célia. "Acho que é cólica renal, desculpe, Celinha, mas preciso ir direto pro hospital", justificou o namorado malandro.
Desculpa esfarrapada. Contorcendo-se de mentirinha, parecendo estar com bambolê na cintura (Sinomar, explica pra moçada o que é bambolê), ele saiu em disparada com seu automóvel. Que hospital, que nada! O rapaz ia direto pro motel com a outra. Mais ingênua do que parte do eleitorado brasileiro, a Célia acreditava na lorota do Marquinhos. Como não poderia ser diferente, ela estava preocupada com a saúde do possível futuro marido.
E Marquinhos prosseguiu com suas artimanhas, mentindo mais que certos políticos quando interrompia encontros com a Célia para ficar em bons lençóis com a outra. Uma vez simulou estar com gota, um tipo de reumatismo que é a "gota serena", como se diz - ou se dizia - no Nordeste.
Para ser convincente com seu "teatrinho", ele deu uma de coxo ou, resumindo, mancava de mentirinha de uma perna. "Meu bem, lamento, mas, desta vez, a gota me pegou pra valer. Vou lá na farmácia do Cidão comprar anti-inflamatório. Soube que ele tem um manipulado que é tiro e queda", mentiu o rapaz.
Que farmácia do Cidão, que nada e não preciso repetir o que o sujeito fazia após deixar a casa da namorada. Célia começou a desconfiar: "Aí tem coisa!", comentou com uma irmã. As duas decidiram investigar e, como se diz no popular, quem procura acha.
Marquinhos foi "achado" no estacionamento de um shopping quando saía do carro com a outra a tiracolo. Em suma: ele foi surpreendido pela namorada e pela ex-futura cunhada. O sujeito não sabia onde enfiar a cauda. De temperamento calmo, Célia ficou possessa, mais brava do que onça com cria nova.
Deu a maior espinafrada no namorado e só não agrediu a acompanhante dele porque foi contida pela irmã. Maior barraco no shopping, que se agravou com a chegada inesperada do pai da Célia, um policial reformado. Ao ser informado sobre o "acontecido", o pai saiu no braço e no antebraço contra o ex-futuro genro a quem chamava de filho.
O policial estava armado e por pouco não sacou o velho "trezoitão" para mandar o Marquinhos pra cucuia. A confusão chamou a atenção dos seguranças. Com o rosto inchado, Marquinhos foi atendido no próprio shopping. Depois que a poeira baixou, todos foram embora e, logo depois, Célia casou-se com outro homem e, ao que parece, vive com ele "entre beijos e beijos", sem esse negócio de "entre tapas e beijos". 

DROPS

Chamem o Samu. Um tal de PIB caiu de uma altura de 9,7 metros.

Trump desmente mini-AVC. Dá para acreditar nele?

Quem nunca comeu melado, quando come se empanturra.

Estamos na mesma chalana? Quem é que sabe?
 

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