“O olhar atual destrutivo das obras do passado”

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 23/03/2021
Horário 07:00

A sociedade evoluiu e diversos conceitos sociais foram se modificando e as ações humanas vão sendo mudadas com estes novos pensamentos, valores e concepções. O que era permissível, não é mais. O que era correto deixou de ser, e o que era proibido passa a ser livre. Consequência do desenvolvimento das relações humanas que ajustavam novas verdades com as experiências do passado. As mesmas piadas perderam a graça, a subserviência de raças não é mais cabível, a ridicularização das orientações sexuais é passível de crime. E todas estas ações são conquistas do desenvolvimento humano e da empatia necessária para a coexistência dos diversos. No entanto, isto deve nortear as ações a partir de agora, perceber que este novo mundo dissipou antigas atitudes e sublimou obsoletas normalidades, e não gerar uma negação do passado. Observa-se uma tendência atual de que as novas gerações adquiriram uma postura superior de pedestal apontadora de defeitos, que analisa, critica, aniquila e condena obras artísticas e nomes do passado simplesmente porque não pensavam com as informações do hoje. Um dos mais importantes filmes de todos os tempos, E o “Vento Levou” (Gone With the Wind) têm sido retirado de circulação porque apresentava uma visão de escravidão negra passiva, subserviente e dócil, sem ter a mínima compreensão de que se trata de uma obra de1939 e que narra assuntos da Guerra Civil Americana (1861-1865). Monteiro Lobato foi aniquilado como um autor racista que criou uma Tia Nastácia alvo de discriminações explícitas e uma serviçal medrosa em seu universo encantando mágico do “Sítio do Picapau Amarelo”: pinçando um defeito à luz atual sem qualquer menção do valor que ele teve para a infância de milhões de brasileiros. “Escrava Isaura” da obra de Bernardo Guimarães de 1875 e transformada em novela de sucesso de 1976 é hoje enxergada como um produto que gerou empatia apenas pela branquitude da personagem. Que visão ferina e magoada é esta que insiste em desdizer o passado? São valores ultrapassados, mas históricos, que não servem mais para comportamentos atuais (assim como inúmeras outras obras datadas do passado), mas que representam a evolução da espécie humana e servem de reflexão para as mudanças necessárias da atualidade. 

TÚNEL DO TEMPO: TORRENTES DE PAIXÃO 

Marilyn Monroe já vinha aparecendo nas telas do cinema desde o final da década de 1940 em participações cada vez mais expressivas. No entanto, foi com o filme “Torrentes de Paixão” (Niagara) de 1953 que ela se tornou uma estrela internacional da noite para o dia. Logo após este filme, ela emendaria dois trabalhos clássicos no mesmo ano: “Os Homens Preferem as Loiras” e “Como Agarrar um Milionário”. Embora ficasse marcada pelas comédias, neste filme Marilyn Monroe brilha numa trama policial de suspense dirigida por Henry Hathaway. Ela interpreta Rose Loomis, a esposa de George (Joseph Cotten), um homem frustrado com o comportamento libertino da companheira. Eles estão desfrutando umas férias em um hotel à beira das Cataratas do Niagara e conhecem um casal tipicamente americano em segunda lua-de-mel (Jean Peters e Max Showalter). Na verdade, a loira fatal está planejando assassinar o marido com a ajudante do belo amante (Richard Allan) durante um passeio às cachoeiras, mas as coisas acabam tendo outro rumo. Coloridíssimo filme com suspense interessante e Marilyn Monroe provando que além da beleza descomunal, era uma excelente atriz. 

Dica da Semana

Globoplay

“As Filhas de Eva”:
As “Filhas de Eva” é um trabalho de criação de Adriana Falcão e dirigido por Leonardo Nogueira que traz a história de três mulheres que tentam recomeçar suas vidas. Tudo se inicia na festa de bodas de ouro de Stela (Renata Sorrah) e Ademar (Cacá Amaral), quando subitamente ela anuncia o divórcio em meio aos convidados. Se você pudesse, o que mudaria em sua vida? O que te impede para conseguir a liberdade? Este mote orienta a produção que tem ainda a presença de Giovanna Antonelli, Dan Stulbach e Vanessa Giácomo nos papéis principais. 
 

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