À Queima-Roupa

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da caminhada e da cãominhada

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 19/09/2020
Horário 05:30

Jornalista e policial civil, Ronaldo Lopes, o Pantera, era repórter policial na Rádio Record, lá no bairro do Aeroporto, e rádio-escuta na TV Cultura. Trabalhava mais que lenhador canadense no século 19 e, se cabe outro exemplo comparativo, suava mais que o marcador do Neymar para ganhar a vida.
Ou para ganhar o pão de cada dia e de cada noite. Encurtando a historinha: era um tremendo pé de boi, que é como é chamado o sujeito que trabalha demais.
Claro que, além dos empregos no rádio e na tevê, Pantera cumpria a sua jornada nas delegacias por onde passou. Já se aposentou e continua ligado nos fatos do cotidiano.
Grande figura o Pantera com seu jeitão de jogador de basquete americano. Era muito querido na TV Cultura. Todo mundo lá gostava dele. Se bem me lembro, ele trabalhou com as equipes dos notáveis Fernando Pacheco Jordão e Vladimir Herzog.
Todo santo dia, na Rádio Record, um colega de trabalho, muy amigo, zombava do Pantera por ele ser policial. Era deboche pesado, atitudes malévolas e confesso que adorei tal expressão, as tais atitudes malévolas.
Quando os dois se cruzavam nos corredores da rádio, o provocador não perdia a oportunidade de caçoar do Pantera. "Ainda vou pegar esse teu revólver e enfiar na tua boca", dizia o sujeito, que na verdade dizia outra coisa e não boca. Como Jornalistas&Cia é de família, acho que é de bom alvitre não citar a palavra que o provocador dizia no fim da frase.
A princípio, o repórter achava engraçado, mas, com o passar do tempo e cansado das chacotas, resolveu reagir. No começo, advertiu o provocador: "É bom parar com isso, você ainda vai se dar mal", avisou Pantera.
Num belo dia, o repórter cumpriu a promessa e foi à forra com ferro e fogo. Assim que o colega começou a falar as bobagens de sempre, o Pantera sacou o revólver e deu um tiro na cara do sujeito.
Isso mesmo: assim na lata, tiro à queima-roupa, coisa do ator Lee Marvin no filme "Os Assassinos". Foi só um susto, não jorrou sangue e o cara não bateu as botas e outros calçados. Era bala de festim.
Depois dessa, o sujeito nunca mais dirigiu gracinhas ao Pantera, que riu por último com um "festim diabólico". É como dizia o grande jornalista Octávio Ribeiro, o Pena Branca: "Terrorismo só respeita terrorismo".

DROPS

Na casa do ferreiro o espeto é de ferro mesmo.

Na casa do Clark Kent o espeto é de aço inoxidável.

O Brasil preserva o meio ambiente. Pausa para rir.

Era discreto, tinha boca de siri e de outros crustáceos.  
 

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