“Queremos uma redução drástica de gastos, que passa pela redução de secretarias, de 17 para 7”

MARCOS LUCAS (AVANTE) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 22/10/2020
Horário 05:30
Cedida - Marcos Lucas é candidato a prefeito pelo Avante
Cedida - Marcos Lucas é candidato a prefeito pelo Avante

O Imparcial dá sequência a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e o dia 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato Marcos Antônio de Carvalho Lucas, Marcos Lucas, do Avante, que aos 50 anos busca a eleição ao lado de Myriam Costa, nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeita. 
Para esta sabatina com os candidatos, foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Casado, e com ensino superior completo, o entrevistado de hoje segue com o partido isolado, sem coligações, em sua primeira eleição. Confira: 

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo? 
Os projetos são diversos e passam inicialmente pela inserção da tecnologia de maneira bastante efetiva na gestão pública. Também queremos fazer uma redução drástica de gastos, que passa pela redução de secretarias, de 17 para sete delas, promovendo união entre as pastas que podem caminhar juntas, como as de Planejamento, Mobilidade Urbana, Obras e Meio Ambiente, que são secretarias que estão envolvidas diretamente na aprovação de plantas, construção civil, meio ambiente, obras, então é importante para dar celeridade e rapidez, especialmente na aprovação de projetos de construção de residência, que hoje temos um gargalo de seis meses para isso, e queremos agilizar. Outra questão da tecnologia pode ser na saúde, quando a pessoa terá um aplicativo disponível, ela fará um cadastro e poderá agendar uma consulta no posto de saúde sem sair de casa ou precisar ir para uma fila às 5h. Ela vai poder acompanhar o andamento da sua consulta, preencher seu prontuário, pedir remédios, avaliar a administração e pedir serviços públicos. Nossa tecnologia vai entrar forte para facilitar a vida do cidadão. 

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade? 
Esse problema é crônico e precisa ser resolvido. O Parque do Povo é considerado o cartão-postal da cidade e não podemos ter um cartão-postal que alaga e que fica malcuidado, como está hoje. Foi feita uma repaginada há uns seis anos e esse trabalho já se perdeu praticamente. O empréstimo tem um lado positivo, que é o grande volume de recursos com uma taxa de juros interessante, todavia, a Prefeitura não tem a contrapartida de 20% e digo que nem terá nesse governo atual, visto que 54% do orçamento estão comprometidos com folha de pagamento e 20% em dívidas, ou seja, vai ser impossível conseguir essa contrapartida. O que pretendemos é dar avanço nisso, aguardar a aprovação final, mas queremos sim tentar utilizar isso para resolver a situação de forma definitiva, baseada em projetos técnicos, em uma solução que seja duradora. Precisamos repaginar o Parque do Povo, promover a inserção de um jardim vertical e depois expandir depois tudo isso para a cidade, para engajar a população para tornar a cidade mais bonita, arborizada. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente?
Pretendemos tratar os empreendedores com o maior respeito, facilitando ao máximo o que pudermos fazer dentro da lei. O projeto fará o que for legal, justo e moral para trazer investimentos. Teremos a Secretaria de Desenvolvimento Econômico mudando totalmente seu viés, que hoje é de fiscalizar feiras, patrulhas rurais e Banco do Povo, ela não vai abandonar esses projetos, mas terá o foco na captação de investimentos para Presidente Prudente. Junto com ela estará nossas frentes desenvolvimentistas, nosso secretário será uma pessoa dinâmica, capaz de buscar parcerias em Brasília ou São Paulo, onde for necessário, e teremos uma ação de retenção de tributos federais e estaduais para alocar na arte e na cultura, nos idosos e nas crianças, de forma que eu não precise colocar R$ 20 milhões na cultura do orçamento próprio, e isso vai ser direcionado para dar estrutura para que venha gente de fora gerar emprego e renda aqui. Além disso, através de concessão de área, por exemplo, incentivo fiscal no ISS (Imposto Sobre Serviço), pois precisamos trabalhar com a contrapartida, quantos empregos a empresa vai gerar aqui? Não podemos entregar o que é publico sem ter contrapartida, além de precisarmos capacitar pessoas e também promover desde já soluções de logística, especialmente pela briga da volta ferroviária aqui.

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver a questão e dar andamento nas negociações? 
A questão do aterro é vergonhosa, ele já deveria ter sido encerrado, sendo que o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que envolve a situação foi assinado pelo próprio atual prefeito (Nelson Roberto Bugalho) e pelo time dele na época. Na prática, queremos incentivar medidas alternativas de destinação de lixo, uma delas com a atual Cooperlix (Cooperativa de Trabalhadores de Produtos Recicláveis) precisa ser incentivada. Hoje existem 90 cooperados fazendo a reciclagem de um percentual muito pequeno do lixo que é possível, e isso tem que começar na verdade com uma campanha para que as pessoas se conscientizem a reciclar desde suas residências, já que o cidadão produz o lixo e precisa contribuir. Pouco é reciclado porque as pessoas não ajudam como poderiam, e a Cooperlix não tem estrutura suficiente, pois, por exemplo, a esteira de separação é ultrapassada, e precisamos de um novo espaço também. Além disso, é preciso procurar uma empresa para a solução de resíduos sólidos, para começar a separar o lixo que é reciclável. Já sobre essa quantidade que ainda precisa ser enterrada ou incinerada, temos que procurar a solução mais viável e menos onerosa ao município. Seja o consórcio ou um aterro em município vizinho, pois Prudente não tem área para isso. O que eu quero dizer é: o lixo tem muita riqueza, uma das fontes de recursos maiores que se tem, e precisa ser melhor aproveitado pensando no coletivo. 

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos? 
Pretendemos reduzir o número de secretarias drasticamente, de 17 para sete, e temos que fazer a coisa séria. O secretário vai tomar posse e colocar com ele pessoas que ele precisa ter, duas ou três no máximo, e vamos dar protagonismo ao servidor de carreira e que tem experiência, competência e liderança. Ele vai ser a alçada e vamos depois disso, se for necessário apenas, para dar eficiência ao serviço, colocar comissionados, sempre tendo como critério a competência dessa pessoa e não levar em consideração se é amigo ou não. Queremos pessoas pela meritocracia. Além disso, pegar alguns equipamentos públicos que dão prejuízo enorme, como a Cidade da Criança, que dá R$ 9 milhões de prejuízo anual, e que atende muitas pessoas carentes, por ser uma área de lazer muito importante para a cidade. Manteremos essa promessa do local, mas vamos preparar com a licença ambiental para que ela seja concebida em uma espécie de thermas, que é uma coisa moderna e bacana. Queremos fazer isso também com o Prudentão, que dá prejuízo de R$ 2 milhões ao ano, passar ele para a iniciativa privada, através de um time que possa cuidar dali, e com isso e muito mais conseguiremos diminuir bastante as despesas. 

Há muitos anos, entidades e empresários locais, incluindo o senhor, se mobilizam em prol da retomada do transporte ferroviário em Prudente e região. O senhor acredita que, após tantas tratativas, a reativação dos trilhos ainda é um projeto possível? Se sim, pretende trabalhar para que isso ocorra ou deve propor alternativas para o local que abriga a malha? 
Nós já estamos trabalhando nesse plano há muito tempo, com a parceria do Ministério Público Federal, que é uma entidade fiscal muito séria. A Rumo tem dívidas muito grandes com a região, ela deixou sucatear por interesse próprio de não ter concorrência no ramal que desagua em Santos, mas não temos nada com isso. Entendemos que hoje a demanda para ter de volta o trecho da Sorocabana ainda não é o suficiente para propor a retomada, por isso, vamos criar fluxo de duas formas: a ferrovia Norte Sul, que já está no Estado e deve ser licitada agora, que no prazo de cinco a 10 anos deve passar em Presidente Venceslau. Em segundo, como contrapartida do sucateamento que a Rumo fez aqui, conseguimos duas promessas por escrito, a primeira é criar o ramal ferroviário ligando Parapuã a Presidente Prudente, são 74 km ao custo aproximado de R$ 200 milhões, que para a empresa é pouco dinheiro. Isso vai nos devolver à Malha Paulista, criando uma solução de logística capaz de trazer um container de fora do país para ser alfandegado aqui na nova sede da Receita Federal, que foi uma luta grande. Então, teríamos dois ramais fortes de ferrovia e um trimodal no aeroporto: ferrovia, aerovia e rodovia, criando essa solução de logística. Além disso, o VLT, que é um grande projeto nosso, que é um trem de passageiro de pequeno porte, e que deve rodar entre Regente Feijó e Álvares Machado, trazendo um transporte alternativo e mais barato, especialmente para os moradores da zona norte. 

O senhor vem do setor de viagens e é um dos interessados na situação do Aeroporto Estadual de Presidente Prudente. Neste ano, a gente sabe que a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) apresentou o projeto de concessão dos aeroportos paulistas. Na ocasião, foi anunciado que o de Prudente receberia quase R$ 52 milhões para investimentos. Na sua avaliação, quais são as principais defasagens do nosso aeródromo atualmente e como pretende trabalhar para a melhoria de sua infraestrutura? 
Venho trabalhando nesse projeto há 15 anos, quando naquela época os aviões não pousavam aqui quando tinha uma nuvem baixa, pois o equipamento era obsoleto. Conseguimos em 2009 uma reforma, quando foi feito um “puxadinho” na parte estrutural e foi ampliada nossa pista, que é capaz de receber avião com mais de 200 passageiros. O que precisamos hoje é de um saguão novo no final da Avenida Coronel José Soares Marcondes, que vai tornar nosso aeroporto urbano e mais confortável do que é isso hoje. Sobre isso, o governador (João Doria) se comprometeu por três vezes a fazer isso, mas fez uma proposta que manda fazer outro “puxadinho” e descumpriu uma promessa, mas é preciso fazer a lição de casa, fazer que tenhamos um aeroporto digno e essa vai continuar sendo nossa luta. Precisamos que o governo olhe para nós como uma região importante e não como um mero depósito de presos. Ele determinou que teremos na região um polo de biocombustível, o que na prática isso significa? O gás encanado de Narandiba para cá? Legal, mas não tem mais nada? Por que outras regiões recebem investimentos e Prudente não? Continuaremos lutando por isso. Nosso aeroporto é o terceiro do interior de São Paulo em movimentação e merece investimentos. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos?
Por uma razão muito importante: teremos no ano que vem um cheque no valor de R$ 800 milhões, preenchido e entregue a um dos 12 candidatos que estão concorrendo. Com todo respeito aos demais candidatos, trago uma trajetória de 30 anos de gestão na minha empresa, que não demitiu ninguém nem com a pandemia. Estamos apresentando projetos que foram construídos ao longo de 10 anos em uma sociedade civil. Lembrando que fui presidente da UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região), participo ativamente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e dos conselhos estadual e municipal de Turismo, então, temos um amplo conhecimento e temos nos cercado de gestores para o secretariado, queremos gente técnica no nosso time, para fazer algo diferente e trazer coerência, tecnologia, competência e eficiência. 

Calendário de divulgação das 
entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

15 de outubro
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

20 de outubro
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

Hoje
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

27 de outubro 
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

29 de outubro
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

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