“Sinta a minha voz”

Um novo filme, chamado “Sinta a minha voz”, estreou na Netflix (2026) e segue emocionando e arrepiando.  O filme foi dirigido pelo italiano Luca Ribuoli, com Serena Rossi e Emilio Insolera no elenco. É uma história de uma família de surdos, onde apenas uma integrante possui a capacidade auditiva, Eletta (Sarah Toscano). É uma adolescente que acorda cedo, atende telefone, traduz conversas e resolve o que aparece na porta.  
O filme chama atenção desde o seu início. A família mora em uma fazenda no interior da Itália e criam animais. Durante a madrugada, ela escuta ruídos vindos do estábulo, uma das éguas está parindo. Ela movimenta tudo, sendo a ponte entre a família com o mundo - até com os animais. Em sua ausência, intensifica a inexistência do ambiente familiar, onde impera um grande silencio. E a casa precisa funcionar. 
Ela não romantiza a própria vida, não pode estimular sua capacidade para sonhar, “voar” e libertar-se. Sabe que, sem sua mediação, tarefas simples travam, como marcar consulta com o médico do pai, ouvir tudo atentamente, principalmente sobre a medicação, etc. Por isso, quando começa a cantar sozinha, ainda no quarto, descobre a forma para a expressão que não apenas a aproxima de novas possibilidades, mas também evidencia uma diferença que sempre esteve presente dentro de casa. 
O desenvolvimento da história ganha contorno quando uma professora de canto (Serena Rossi) reconhece o potencial de Eletta, criando uma oportunidade concreta para que ela invista em sua carreira. Esse momento marca uma virada, já que a decisão de seguir esse caminho passa a envolver não apenas seu futuro profissional, mas também sua relação com a família. 
O interessante é que Elleta transita em dois espaços que funcionam de maneira diferente. Em casa, a comunicação acontece por meio da linguagem de sinais e de uma dinâmica construída no silêncio. Fora desse ambiente, sua voz se torna o principal instrumento de conexão com o mundo. A jovem descobre que cantar pode levá-la para fora dali, mas precisa decidir se abandona a função, que mantém a rotina da família funcionando. O mais emocionante é como “ouvir” a filha cantar? 
Vale a pena assistir, “Sinta a minha voz”. Penso que é um grande estímulo à capacidade para pensar sobre os aspectos emocionais da relação humana. Sobre o toque (tato), sensibilidade, fé e amor.

Publicidade

Veja também