Sorria, o mundo começa a mudar

OPINIÃO - Arlette Piai

Data 23/06/2020
Horário 04:39

Estamos vivendo a maior anarquia política dos 131 anos da República do Brasil. É um mal, mas poderá ser um bem à medida que “purga” toda podridão política de hoje e das últimas décadas. Neste governo, leitor, apareceu tudo de mais exótico da nossa história. Dado o espaço limitado, exemplifico apenas o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub. Pérolas: escreveu impressionante com “c”, paralisação com “z”, incitaria com “s”, pós-graduação sem hífen, “esse” no lugar de “este”, inadequações de concordância verbal, desconhece crase, o novo acordo ortográfico e apresenta erros gramaticais crassos que crianças do 3º ano não os cometem. Como professora de redação, concluo: certamente o ministro da Educação, Abraham Weintraub, seria reprovado na avaliação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). 

Há um mundo bonito nascendo com “a contaminação” da corrente do bem. Essa contaminação é tão rápida quanto à do coronavírus

Apesar dos pesares, leitor, um novo mundo parece estar sendo plantado por cada cidadão, e quem muda uma nação é a base e não o pico da pirâmide. O Imparcial de 16/06 apresentou um vídeo relatando a atitude de uma jovem que, após a leitura do livro “O jeito raro de ser feliz”, resolveu testá-lo. Ao pagar o seu pedágio, também o fez para o carro seguinte e ao comunicar o motorista, este ficou paralisado, atônito, perplexo; depois pediu o telefone da incógnita. Logo mais ele repetiu a gentileza pagando o pedágio do carro seguinte e, ao ser comunicado, o motorista chorou. Questionado pelas lágrimas, relatou que chegava da Bahia com a mulher onde deixaram cinco filhos e vieram rezando para que Deus os abençoasse. Profissão? Mestre de obras e antes ainda que entrasse na grande metrópole teve o emprego garantido porque o senhor que lhe pagara o pedágio era engenheiro. 

Quando a jovem recebeu a notícia da continuidade da sua gentileza, declarou o seu mais profundo sentimento de felicidade. Quem muda o mundo, leitor, é a base da pirâmide social, cada um de nós e há um mundo bonito nascendo com “a contaminação” da corrente do bem. Essa contaminação é tão rápida quanto à do coronavírus. E tudo indica, leitor, que a curva do mal “atingiu o pico” e tende a decrescer. E cada um de nós fazemos parte dessa curva. Sorria.

 

 

 

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