“Trazer grandes indústrias vem depois de incentivar o que nós temos”

JOÃO FIGUEIRA (PRTB) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 15/10/2020
Horário 06:00
Cedida - João Figueira é candidato a prefeito pelo PRTB
Cedida - João Figueira é candidato a prefeito pelo PRTB

O Imparcial dá sequência a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato João Figueira, do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), que, aos 71 anos, busca a eleição ao lado de Arnaldo Gonino,
nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeito.
Para esta sabatina com os candidatos, foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Casado e com ensino superior completo como grau de instrução, João Figueira segue com o partido isolado, sem composição de coligação, em mais uma corrida eleitoral, visto que ele já se candidatou ao cargo de vereador, em 2004. Confira abaixo a entrevista.

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo? 
Eu estou entrando na política para fazer a diferença, não que eu não goste das pessoas, mas nossa política está cheia de vícios. Não entro com equipe formada. Até dos meus adversários eu posso pegar depois gente que queira entrar na Prefeitura com viés de “como posso ajudar?” e não do “o que eu ganharei com isso?”. Eu sei fazer grupos e farei um grupo bom, mas primeiro é chegar e ver o que tem a Prefeitura de dinheiro, orçamento, quanto está comprometido e depois fazer o trabalho que estou te falando. Minha ideia é ser um ponto de apoio para todos que quiserem colaborar, é a resolutividade, está cheios de planos por aí, de pessoas que não são nem elas que fazem, mas meu plano de governo é foi feito por mim e conta com a participação de todos. Estou aqui para fazer a diferença, tenho muitas amizades em Brasília, posso chegar lá e trazer verbas, desde que sejam projetos bons. Consigo fazer tudo o que a cidade precisa, tenho certeza. Sei liderar, passei a vida liderando, e farei o grupo depois de um diagnóstico na Prefeitura.

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade?
Esse problema é meu, eu sou engenheiro e conheço, é meu dia a dia. É justamente nisso que faremos um trabalho bem feito, precisamos dimensionar e saber se vai escoar tudo. Lá atrás houve o erro e hoje estamos pagando por esse erro. Eu sei resolver sim, com pequenas intervenções vamos conseguir amenizar ou até mesmo resolver de uma vez por todas. É preciso cuidado com esses empréstimos, que são muito perigosos, se não serão empréstimos em cima de empréstimos e o dinheiro que temos na Prefeitura, o orçamento, 54% está comprometido pela folha, mais 20% em dívidas, onde vamos chegar? Precisamos de gente com criatividade e que sabe fazer, eu sei fazer isso, é meu ramo. É preciso estar nas mãos de quem entende do assunto. Duas vezes por ano ter essa inundação não é nada normal. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente? 
O forte de Prudente é o terceiro setor, que é o comércio e prestação de serviços. Esse pessoal precisa ser muito incentivado e é por aí que vamos começar. O agronegócio e a indústria, nós também vamos incentivar. Hoje quem dá emprego é comércio e precisamos incentivar ele, depois vamos trabalhando as pequenas indústrias. Incentivar sim, pois não é apenas a isenção de impostos, é preciso ter uma sala onde você recebe esse pessoal, ser o ponto de apoio para Prudente crescer. O sistema está viciado e por isso é difícil de andar. A cidade não tem que ter vocação neste momento, trazer grandes indústrias vem depois de incentivar o que nós temos. A economia interna vai trazer mais dinheiro, renda per capta e as grandes indústrias vão querer vir, pois terá dinheiro para elas venderem. 

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver a primeira questão e levar adiante a segunda?
Isso é um absurdo, esse aterro já foi fechado na gestão passada. É um dos maiores passivos ambientais que temos no Estado, isso está em cima do Rio Mandaguari, um dos poucos que temos, não é um aterro controlado, eu sou engenheiro, isso é um perigo. Isso sim é um passivo ambiental e estou muito preocupado com isso, pois não é uma solução fácil, mas tenho uma solução. E não é pegando dinheiro de qualquer jeito não. Tenho pessoas de boa índole em um novo ritmo, neste que quero para o Brasil. Vamos crescer em cima desse novo ritmo que está sendo colocado para nós. Mesmo com a pandemia, acredito que o ano que vem será um ano de criatividade. Nosso orçamento não está bom, mas tenho muitos amigos em Brasília e sei que com projetos bons, que sei fazer, vamos arrumar muito dinheiro. Prudente não tem nada de bom, porque não sabe fazer projeto. 

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos? 
Primeiro fechar a torneira. Não podemos ficar fazendo dívida e precisamos saber o que estamos fazendo. Temos uma receita, sendo que 54% do dinheiro estão comprometidos com a folha, 20% de dívidas, sem contar as outras, então, precisamos saber primeiro quanto a Prefeitura tem e o que vamos fazer com aquilo. Precisamos fazer os projetos andar. Os empresários de incorporadoras ficam amarrados com três ou quatro anos com um projeto na mesa, como é que vai gerar receita? É lógico, não deixam gerar IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Precisamos fazer a engrenagem andar, não apenas de loteamento, mas em todos os setores, pois hoje você leva três ou quatro meses para abrir uma empresa. 

Como empresário do ramo da construção civil, qual o seu diagnóstico sobre as políticas habitacionais em Prudente? Se eleito, pretende expandi-las? De que forma? 
Eu estou em um ramo e faço loteamentos de baixo custo, se você for ver meus lotes, eles são relativamente de baixo custo, e só não são mais baixos por causa dessa burocracia que eu já mencionei. Sobre os programas habitacionais, nós temos muito amigos em Brasília, vamos sim trazer dinheiro e um vice que vai trabalhar muito, já que muitos prefeitos, não daqui, têm medo de ver o que ele está fazendo, mas eu não vou roubar, então, eu posso ir de vez em quando a Brasília, conversar e trazer emendas, projetos e podemos fazer programas habitacionais, Prudente precisa de muita residência barata para atingir os mais carentes. Tem muitos programas bons, e traremos sim. E não é fazer como os conglomerados sem creche e sem assistência ou segurança, pois precisamos dar dignidade para esse povo. 

Em seu plano de governo, o senhor destaca a necessidade de investir em programas de economia e eficiência energética. Que programas são esses, como pretende executá-los e qual o retorno disso para a população e aos cofres públicos? 
Esse ramo é um ramo que eu pertenci, pois trabalhei por 30 anos na Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo). Só que agora temos novas tecnologias e energias não convencionais, então, temos tipos de energia que podem ser aproveitadas. Tem muitas empresas já fazendo isso, queremos incentivar que esse pessoal pegue grandes áreas e faça, por exemplo, usina fotovoltaica para abastecer os nossos munícipes, mas para também as empresas privadas. É incentivar o pessoal a investir em energias não convencionais. A população precisa saber as alternativas que temos, pois isso é muito importante para o desenvolvimento do Brasil todo. Não são programas, mas investimentos. Volto a dizer, seremos um ponto de apoio. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos?
Eu costumo dizer que não tenho desejo, mas intenção, e a população que vai decidir isso. Olhem o currículo, não vote porque é amigo ou em grupos que se formam antes, pois se você ficar comprometido, ocorre igual gestões passadas, quando o prefeito se torna apenas um quadro na parede. Eu preciso entrar e escolher depois. Não estou amarrado com ninguém, tenho muita amizade com essas pessoas que estou falando, mas em política não se entra com grupo formado. Temos muita gente boa, muita gente que sabe trabalhar e pode me dar ideia, e vai ter espaço para esse pessoal. Precisamos alavancar emprego, eu sei como fazer isso, me dê a oportunidade. É intenção, não é desejo. 

Calendário de divulgação das 
entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

Hoje
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

20 de outubro
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

22 de outubro 
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

27 de outubro 
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

29 de outubro
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

SAIBA MAIS

Candidato a prefeito Nelson Bugalho (PSDB)

Candidato a prefeito Major Glauco (PTC)

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