“É uma situação caótica, mas vamos vencer essa etapa e reequilibrar o caixa da Prefeitura”

LAÉRCIO ALCÂNTARA (DEMOCRATAS) - CANDIDATO A PREFEITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

Eleições - GABRIEL BUOSI

Data 29/10/2020
Horário 05:30
Cedida - Laércio é candidato a prefeito pelo Democratas
Cedida - Laércio é candidato a prefeito pelo Democratas

O Imparcial dá sequência a uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Presidente Prudente. A partir de um sorteio realizado com representantes dos concorrentes, foram decididas as datas das entrevistas, que ocorreram entre os dias 1º e 9 de outubro, e as datas das publicações, sempre às terças e quintas-feiras, entre 13 e o dia 29 de outubro. A entrevista de hoje é com o candidato Laércio Batista de Alcântara, do Democratas, que aos 54 anos busca a eleição ao lado de Marcos Vinha (DEM), nome escolhido para ocupar o cargo de vice-prefeito. 
Para esta sabatina com os candidatos, foram acordadas oito perguntas, sendo seis delas iguais para todos e outras duas que devem levar em consideração as experiências sociais e políticas do candidato. Casado, e com ensino superior completo, o entrevistado de hoje segue com o partido isolado, sem coligações, em sua primeira eleição. Confira: 

Caso receba a confiança do eleitorado prudentino para ocupar a cadeira, qual deverá ser o projeto carro-chefe dentro do seu plano de governo?
O meu principal projeto é colocar a Prefeitura em pé de novo, pois nossa Prefeitura está em situação muito difícil nestes últimos quatro anos, a cidade está abandonada, está de joelho, e queremos colocar a cidade em pé com a experiência que temos na administração pública, e poucas pessoas possuem a experiência e conhecimento que eu tenho de Prefeitura, então, desde o primeiro dia como prefeito, tenho condições de apertar os parafusos e colocar a cidade no rumo do desenvolvimento e do progresso. É um trabalho difícil, não aparece para a população esse trabalho administrativo, mas colocaremos em prática desde o primeiro dia para que a cidade siga no crescimento. 

Os alagamentos no Parque do Povo são um problema frequente no município. Em julho deste ano, um empréstimo no valor de US$ 46,8 milhões foi aprovado junto ao Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) e o processo, entre outros fatores, depende agora da contrapartida de 20% acordada em contrato. Se eleito, pretende dar andamento às negociações com o Fonplata? Como pretende viabilizar as obras para sanar esse problema tão antigo na cidade? 
Esse projeto vem desde a primeira administração do prefeito Agripino Lima, que inclui, além do Parque do Povo, toda uma obra de infraestrutura na região norte da cidade e vários empreendimentos em Presidente Prudente. É um projeto grande, de valor muito alto, e é financiamento, a Prefeitura vai ter que pagar. A questão específica do Parque do Povo não tem bola mágica para isso, é ter um bom projeto técnico, buscar verbas federais e estaduais, temos alguns pontos críticos na cidade, em que em um primeiro momento recebemos toda a chuva que vem, por exemplo, da Avenida Brasil até o Parque do Povo, então, toda a água da cidade passa pela estrutura do parque. Temos que apresentar um projeto técnico bom e ter uma solução pontual, é preciso entender a parte técnica também, pois você tem um alagamento no primeiro momento, muito grande, e passados 10 minutos, a água está redistribuída. Já temos um estudo que foi feito há alguns anos quando eu era secretário, então, vou reorganizar esse estudo para resolver essas situações pontuais do Parque do Povo. 

Há relatos de empresas que desistem de se instalar em Presidente Prudente ou até mesmo migram para municípios ou Estados vizinhos por alegarem falta de incentivo fiscal. Isso, além de prejudicar a arrecadação do município, consequentemente tem impactos na geração de empregos e em toda a cadeia produtiva. Quais serão as propostas para que empresas se sintam atraídas a virem ou permanecerem em Prudente? 
Primeira questão é a burocracia estabelecida na Prefeitura. Quando eu era secretário, demorávamos no máximo quatro dias para abrir uma empresa, hoje demora mais de seis meses. A questão fiscal, a maioria das inscrições na Prefeitura hoje é composta por MEI (Microempreendedor Individual) e pequenas empresas, que já não pagam tributos em Prudente mais, pois fazem parte do Simples Nacional. Temos que incentivar as empresas locais e pessoas daqui, que geram renda na cidade, e buscar uma forma de incentivo, seja, por exemplo, buscando linhas de financiamento. A parte de desenvolvimento da Prefeitura, que já vem abandonada há muitos anos, é outra questão, queremos vincular ela direto no meu gabinete. 

Prudente, ao longo dos anos, ainda não conseguiu encerrar as atividades do aterro sanitário. Enquanto isso, a atual gestão aposta no Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista) para reverter a problemática dos resíduos urbanos. Como pretende resolver essa questão e levar adiante as negociações?
Essa é uma questão que vem de muitos anos. Na administração da qual fui secretário, conseguimos regularizar o aterro, transformando ele em um aterro controlado, um dos primeiros do Estado a ter essa certificação e hoje precisamos valorizar quem faz reciclagem e os catadores, para melhorar o fluxo das 220 toneladas de coleta de lixo de Prudente. Temos ainda dentro de uma aprovação da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), uma nova célula que será implantada nesse aterro nosso, que demora um ano de operação ainda. O que infelizmente ocorre lá hoje é que o local precisa de um trator, uma máquina, que aterre assim que o caminhão chegar, e nem isso tem lá no aterro hoje. O aterro será cuidado por nós, Prudente é um município muito estreito e tem uma regulamentação que diz que qualquer aterro deve ficar a 20 km do aeroporto, por isso não conseguimos fazer a concessão do outro local, que era muito inteligente, próximo da Rodovia Júlio Budiski (SP-501), e da estação de tratamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), pois íamos transportar o chorume para a estação de tratamento, em um sistema integrado e não conseguimos fazer, mas vamos cuidar do lixo. 

O que o senhor promoverá, no âmbito financeiro, para equilibrar os cofres públicos? 
Quando eu assumi como secretário, tínhamos um orçamento de menos de R$ 200 milhões, reorganizamos com eficiência, sem aumentar IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou ISS (Imposto Sobre Serviço) e conseguimos entregar para essa administração R$ 630 milhões. O orçamento para o próximo ano já está na Câmara, é de R$ 802 milhões, ou 8,65% maior que deste ano. Com isso, serão gastos 27,3% na educação, 25% na saúde, R$ 30 milhões na assistência social e R$ 60 milhões com aposentados da Prefeitura. Essa é uma situação muito difícil, já que entregamos um caixa de mais de R$ 100 milhões, e tudo isso foi gasto. Na última reunião de apresentação de contas da Prefeitura, o déficit apresentado está em R$ 74 milhões, então está muito difícil mesmo, e o que salvou o atual momento foi a pandemia, pois as escolas e unidades de saúde pararam de funcionar. É uma situação caótica, mas tenho certeza que, comigo como prefeito, vamos vencer essa etapa e reequilibrar o caixa da Prefeitura.

O senhor entrou na Prefeitura como guarda-mirim na década de 1980. Caso seja eleito, pretende desenvolver algum projeto voltado ao primeiro emprego? Qual a importância de dar apoio ao jovem que está entrando para o mercado de trabalho?
A questão do primeiro emprego é muito importante, e tive grandes professores quando entrei na Prefeitura, além de me formar como engenheiro. O Programa Primeiro Emprego na Prefeitura estava suspenso já fazia mais de 15 anos, em 2009, quando assumimos a secretaria, foi o primeiro projeto que fizemos, ao voltar com a iniciativa. São 100 jovens aprendizes na Prefeitura hoje, o que é muito bom importante. Com isso, sempre pensei em ser candidato a prefeito, já que eu na Fundação Mirim encontrava mães que pediam emprego para os filhos, para não ver eles nas ruas, e eu pensei que tinha condições de poder fazer mais como prefeito, se fosse eleito, e queremos organizar as parcerias para que o primeiro emprego seja valorizado. Me preparei na prática para isso, então, na questão do primeiro emprego, que é muito necessário, sei como fazer e vou ajudar. Dependemos do apoio dos empresários, das universidades, mas trabalharemos em cima disso.

Na atual gestão, o prefeito Nelson Bugalho (PSDB) tentou corrigir a tabela de cálculo do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), mas foi barrado pela Câmara Municipal. Como ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, o senhor acredita que Prudente necessita de uma atualização no valor venal dos imóveis? Na sua avaliação, a cobrança do imposto no município é justa com todos?
O objetivo do IPTU é buscar equilíbrio social, quem mora no Parque Imperial, por exemplo, não pode pagar o mesmo IPTU do centro. Todo ano a Prefeitura faz esse reajuste da tabela, que traz o nosso tributo como um dos melhores do Brasil. Vejo que não é necessário fazer essa modificação, tanto que não fiz enquanto fui secretário. O que se busca, por exemplo, é que algumas regiões se tornaram centros comerciais muito fortes, e pagam um valor igual ao de uma região que não tem essa força, então, como essas regiões cresceram e se desenvolveram, a ideia é que elas paguem um pouco mais, pois quem pode mais paga um pouco mais e quem pode menos paga um pouco menos. O nosso cadastro está muito desatualizado, por isso essa injustiça social, no primeiro momento não há interesse em fazer reajuste de IPTU, mas buscar essa eficiência de gestão. 

Por qual razão o eleitor deve colocar a máquina pública em suas mãos?
Por toda minha experiência com Prefeitura desde guarda-mirim, e minha formação de engenheiro, com especialização. Na prática e na teoria, entre todos os candidatos, sou o mais preparado e conheço a máquina pública. Sempre pensei em ser prefeito, me preparei para isso, estou pronto para me dedicar mais quatro anos à cidade, pois sou muito grato a essa terra. Fui crescendo com muita luta e trabalho, sou o servidor talvez mais antigo, e neste momento, por tudo o que Prudente está passando, estou pronto e preparado, peço o voto de confiança. Nunca fui candidato a nada, mas entendo que neste momento posso contribuir muito.  

Calendário de divulgação das 
entrevistas feito por meio de sorteio

13 de outubro
- Nelson Roberto Bugalho (PSDB) 
- Glauco José Bazzo (PTC) 

15 de outubro
- Juliano Borges (Podemos)
- João Felício Figueira (PRTB) 

20 de outubro
- José Lemes Soares (PDT)
- Luís Valente (PT)

22 de outubro 
- Marcos Lucas (Avante)
- Ed Thomas (PSB)

27 de outubro 
- Fábio Sato (MDB)
- Guilherme Piai (PSL) 

Hoje
- Laércio Alcântara (DEM)
- Paulo Lima (PSD)

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