“Vamos refazer a capital do oeste paulista”

ED THOMAS (PSB) - Prefeito de Presidente Prudente

Personagem - GABRIEL BUOSI

Data 03/01/2020
Horário 04:02
Foto: AI do Ed Thomas
Ed Thomas foi eleito prefeito de Presidente Prudente
Ed Thomas foi eleito prefeito de Presidente Prudente

Depois de ser eleito com 34,33% dos votos válidos, que representaram 37.304 votos para o comando da maior cidade da região, Ed Thomas (PSB) já responde como prefeito de Presidente Prudente. Em uma entrevista exclusiva para O Imparcial, o novo chefe do Executivo comentou sobre os planos para os quatro anos de governo, analisou a gestão passada, pontuou quais serão os trabalhos principais neste início de mandato, e comentou sobre as propostas que fizeram com que a população o escolhesse como o novo gestor municipal. Confira abaixo a entrevista: 

O senhor inicia agora os trabalhos à frente da Prefeitura de Presidente Prudente. Quais são as expectativas para o começo deste compromisso de quatro anos com a população?
A palavra é comprometimento. Estarei comprometido e focado, pois eu fui eleito para buscar soluções, e as pessoas acreditaram nisso. Eu tenho que fazer com que elas continuem acreditando. Não é apenas o prefeito que tem a vontade, mais do que isso, temos projetos, temos pessoas capazes do nosso lado e que irão pilotar todos esses projetos. O funcionário público, acima de tudo, é o ator principal em tudo isso, todos nós dependemos desse trabalho. Estamos de passagem, então, é buscar fazer o melhor para as pessoas, principalmente ouvindo a população, buscando mais ideias do que aquelas apresentadas no meu plano de governo e ir aprimorando. É começar aquilo que não teve início, não deixar as obras paradas e dar um seguimento da grandeza que é a nossa cidade.

Quais devem ser os projetos prioritários conduzidos pelo senhor nestas primeiras semanas de gestão?
É claro que existe um foco muito especial para a saúde. Nós buscaremos fazer mutirões para as pessoas isoladas em casa por causa da pandemia, com prioridades aos idosos, crianças e nossos doentes. É um grande plano de trabalho em simetria com todas as secretarias, que resultará ainda em uma limpeza da cidade, pois sabemos que, infelizmente, a zeladoria praticamente não existe. Além disso, as pessoas em vulnerabilidade precisam ser detectadas, visitadas e cuidadas. Essas pessoas serão prioridade, não apenas para a prevenção à Covid-19, mas também para a prevenção e cuidado com demais doenças que não deixaram de existir, como a dengue. Então, é um mutirão de saúde e limpeza.

Em um apanhado geral, quais deverão ser seus principais investimentos no decorrer de seu mandato?
Primeiro eu preciso, e já fiz isso, credenciar a cidade para receber investimentos. Infelizmente não encontramos Presidente Prudente cadastrada em projeto, seja do governo estadual ou federal. Esse foi o primeiro passo e ambos os governos possuem projetos de credenciamento e de alimentação do sistema. O que significa isso: a cidade precisa ter projetos em todos os segmentos, para que os governantes saibam que a gente exista. Prudente não pode ficar esperando que os governos venham aqui, somos nós, eu como prefeito, que tenho que levar projetos. Precisamos estar municiados com ideias já feitas, muitas existem, mas não estão credenciadas, Prudente perdeu muitos recursos. Por isso as visitas que fiz a São Paulo e Brasília, para colocar o nome da cidade nesse mapa de investimentos. 

No final de 2020, houve um conflito entre o senhor e o ex-prefeito Nelson Bugalho sobre como seriam conduzidos os trabalhos de transição de governo. O senhor descartou a formação de um grupo para acompanhar a transição em questão e defendeu a necessidade de uma auditoria geral na Prefeitura. Pretende levar a cabo essa fiscalização? De que forma?
Eu creio que a gente poderia ter conversado, era um simples telefonema que eu aguardei, para tomar um café na Prefeitura pós-eleição. O que recebi foi uma mensagem de parabéns, que eu agradeci, mas você espera um convite para uma conversa e não um ofício. Eu já tinha informações durante toda a campanha do que estava acontecendo em Prudente, então, a minha chegada à Prefeitura eu não vou falar que não sabia daquilo ou disso, eu sei sim, e buscamos todas essas informações. Em relação ao restante desse serviço, é somente trabalhando como prefeito e quando os secretários estiverem dentro das secretarias, em que cada um fará um diagnóstico do que encontrou. O que eu quero é transparência para as pessoas. Se ela existe, é para ser feita. Isso não é perseguição, é transparência para quem paga os impostos. Será uma função de cada secretário nos passar aquilo que é de bom e de ruim.

O senhor ficou satisfeito com a gestão de Nelson Bugalho? Como avalia, em geral, o mandato do seu antecessor?
Eu acho que ele procurou fazer o melhor. Bugalho é uma pessoa que eu respeito e que vem de uma instituição grandiosa que é o MPE (Ministério Público Estadual). Eu resumo minha fala ao dizer que creio que ele tenha, acima de tudo, buscado fazer o melhor, e que muitos ao seu lado não compreenderam de forma nenhuma essa intenção ou não tiveram a mesma intenção.

O senhor tem pretensão de dar andamento a projetos não concluídos pela gestão anterior? Como vê, por exemplo, a obra do Camelódromo, que não foi entregue dentro do prazo previsto?
Tenho intenção, pois nenhuma obra pode ficar inacabada, isso é dinheiro público investido. Precisamos terminar o que começou e começar o que não teve início ainda. O Camelódromo é uma prioridade, local de geração de renda e de emprego, é uma pena que não tenhamos ainda terminado dentro do prazo previsto para que as pessoas possam ganhar o seu pão de cada dia conforme elas esperavam, e nós vamos entregar para eles. Não apenas essa, mas todas as outras que necessitarem, acima de tudo, de uma vistoria dentro da lei e ver aquilo que foi gasto, o que é necessário gastar e o que fazer para terminar. Nenhuma obra começada vai ficar do jeito que está, eu farei com certeza o possível.

O senhor se senta na cadeira do Executivo após deixar outra no Legislativo de São Paulo. Quais experiências obtidas na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) deverão contribuir para o seu trabalho como prefeito em Presidente Prudente?
Eu creio que o Legislativo é a fabricação de leis e o órgão fiscalizador, e eu também serei fiscalizado, e respeitarei essa fiscalização. Por outro lado, levarei aquilo que adquiri nos quatro mandatos, de saber buscar recursos e de saber em que porta bater, e o que pedir e como pedir. Eu tive a experiência não somente com os deputados e não apenas mandando recursos para as cidades, mas ao estar num atendimento constante com prefeitos, em especial da nossa região. Eu sei das dificuldades que eles enfrentaram, dos problemas vividos e isso me traz sim um pouco de experiência. Ouvir e estar junto com prefeitos me credencia a não cometer os mesmos erros e ter muitos acertos. 

O senhor pega a máquina pública ainda num cenário instável de pandemia e de crise da saúde pública. Acredita que essa situação pode comprometer seus planos à frente do Executivo?
A pandemia não há como não dizer que ela não está nos meus planos, pois ela entrou no meu plano de cuidar da saúde das pessoas e de saber que poderia ter sido feito muito mais pela população e que poderia, acima de tudo, ter lesado menos aqueles que dão emprego e fazem o pagamento dos seus impostos. Culpar o comércio por essa situação é um grande pecado. A força que Prudente tem é a prestação de serviços, a indústria que Prudente tem, é o comércio. E eu quero fomentar isso, o ambiente de negócios nos bairros da cidade, aquecer o nosso comércio, que não poderia de forma nenhuma pagar esse preço que paga. Nós perdemos leitos, o Estado nos tirou leitos, e ainda dá tempo de fazer mais por Prudente, eu quero me somar a isso, cuidando da saúde das pessoas e do ganho das pessoas. Quero cuidar dos nossos mais vulneráveis, em todos os sentidos. Temos uma pandemia em curso, acredito na vacina, mas sabemos que não haverá abandono dos protocolos de prevenção, e vamos investir nisso. Muita gente sofrendo por outras doenças que foram abandonadas, e infelizmente não houve planejamento no país como um todo com aqueles que tiveram seu estado de saúde agravado com a pandemia, por terem sido esquecidos. Esperamos que a ciência trabalhe junto com a economia. 

A que o senhor atribui a sua vitória nas urnas durante as eleições municipais de 2020?
Eu acho que, primeiramente, porque sempre demonstrei meu amor e gratidão à cidade que recebeu meus pais, e local onde eu formei minha família. Foi aqui que me fizeram radialista, vereador, deputado e agora prefeito. Creio que é confiança e segurança e eu não vou trair isso. Confiaram em mim para cuidar das pessoas, por mais que se critique a política, a minha política foi sempre uma política do bem e para melhorar a vida das pessoas. As pessoas entenderam que eu quero servir. Eu gosto de desafios e creio que transmiti essa segurança para a população. Sei das dificuldades e dos problemas, mas sei da esperança que as pessoas depositaram em mim. Com humildade e respeito, sem ser proprietário da cidade, farei meu mandato. 

Que mensagem o senhor deixa para a população para a qual irá trabalhar nos próximos quatro anos?
A mensagem que eu deixo é que ninguém faz nada sozinho. A população vai ter um prefeito presente, um prefeito que se errar fará o possível para retroceder e consertar, e que sabe que a administração não é somente de um prefeito, somos todos Presidente Prudente e gosto muito de um ditado que diz: quem quer uma cidade limpa, tem que começar na sua calçada. Então, que todos nós façamos a nossa parte. Ajudaremos a construir e refazer a capital do oeste paulista, que precisa ser tratada como tal. É a cidade que pode ser orgulho ao nosso país.

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