A bola de basquete

Persio Isaac

CRÔNICA - Persio Isaac

Data 05/12/2021
Horário 06:00

Minha cor é laranja, meu corpo é feito de borracha dura e áspera. Sou rodeada de lindas listas negras. Quando o canadense, professor de educação física, James Naismith, inventou o basquetebol em 1891, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o mundo iria me conhecer. Um esporte que foi criado de acordo com as circunstâncias, para jogar em quadras fechadas por causa do frio. Chegou ao Brasil em 1896 trazido pelo americano Augusto Louis. 
Eu estou em Presidente Prudente, onde vou contar um pouco da minha história e desse histórico esporte: Fui muito feliz nos anos 50 e 60 quando fui conduzida pelas mãos dos irmãos Marcondes: Paulinho, José Roberto, Vadite e Nenê. Paulinho chegou à seleção brasileira e deixou seu nome na história do basquete prudentino e nacional. Me sentia feliz nas fintas desconcertantes de Zé Oda. Me sentia livre como um pássaro nos jumps elegantes de Sérgio Peres. Tenho saudades de todas essas mãos que me deram um pouco de eternidade. Passei também pelas mãos do prudentino Zé Geraldo, que também chegou à seleção brasileira, se tornando um multicampeão, com seus dois metros de altura. Eu me sentia poderosa em suas mãos. 
Não posso esquecer os duríssimos jogos entre o Clube Luso Brasileiro de Bauru contra nossa querida aldeia. O ginásio de esportes lotado, torcendo, vibrando nas arrancadas rápidas de Vendramini, na calma de Urubatan Paccini e na raça de Xavier. O Luso com o tinhoso Zé Amilton, Tidei de Lima, sob o comando técnico do agitado Raduan. Tempos de ouro que vivi. Veio o Matilde Zacharias, nascido da paixão pelo basquete, dos irmãos Antônio e Darcy Zacharias. Corri o interior de São Paulo disputando os campeonatos. 
O americano Jimmy me deu muitas alegrias. O menino Polaco tinha um espírito de guerreiro. Ariston, Sizo, Tom Zé, Pedrosa, Negativo, fazem parte dessa linda história desse time da Família Zacharias. A emoção que vivi na habilidade mágica do armador Benega é inesquecível. A grande glória que vivi foi no time feminino da Prudentina. Uma jogadora de nome Hortência iria se tornar a rainha do basquete brasileiro. A força física de Jussara e a raça de Tute foram a marca desse time dos sonhos. 
O técnico era Vendramini e se tornou um dos maiores técnicos de basquete feminino do Brasil. Fomos vice- campeões num torneio disputado na China. O presidente da Prudentina, Aluísio Dias Campos, e o diretor de Esportes, Antônio de Figueiredo Feitosa, deram todo o apoio para a Prudentina de Hortência entrar para a história. Hortência sempre me tratou com muito carinho. Adorava estar em suas mãos divinas. O trabalho do professor Negativo com o patrocínio das Bebidas Funada foi fantástico. Muitos jovens encontraram em mim um caminho para se tornarem jogadores e homens de caráter. 
O presidente do Tênis Clube, Persio Melem Isaac, com o apoio do empresário Mario Kato, fez uma parceria com o Clube Sport Recife e lá fui eu disputar o Campeonato Paulista Feminino de Basquete. Ficamos em quarto lugar. Uma honra. O basquete ficou adormecido durante anos, fiquei jogada na quadra do esquecimento. Uma luz está prestes a se acender, trazendo novas ilusões, novos sonhos, novas mãos.  Me  falaram que  houve uma reunião com o prefeito, Ed Thomas; seu vice, Izaque Silva; o secretário de Esportes, André Domingos; o presidente da Câmara Municipal, Demerson Dias; o nosso professor e agora vereador Negativo; junto com seu assessor, o professor Marcelo Lourençoni, para renascer o basquete prudentino. Eu que nunca perdi a esperança de ser novamente conduzida por mãos sonhadoras, já sinto o grito da torcida. Voltei a sorrir.
 

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