A "brochada" do Cony e o ilustre passageiro

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista sem fins eleitoreiros

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 08/09/2020
Horário 05:32

Durante uma viagem de avião, o cronista e compositor Antônio Maria, que arrastava um transatlântico pela Danuza Leão e foi um dos notáveis do bolero brasileiro, que chamamos de samba-canção, se interessou por uma passageira e, pensando "naquilo", abordou a mulher.
Dizem que a passageira era outro "avião" no aeroporto, um cavalo de raça, como dizia o Stanislaw Ponte, quando via mulheres bonitas e gostosas.
Durante o bate-papo, a bonitona disse que literatura era uns dos seus assuntos favoritos e que admirava o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony. Mal ela terminou a frase e o compositor emendou com a maior cara de pau: "Eu sou o Cony".
E não é que ela acreditou? Tinha acabado de "conhecer" o seu escritor favorito, muita emoção em um único dia. Antônio Maria "lançou o anzol e fisgou uma sereia", que não ficava nada a dever às belas "sereias" que aparecem na televisão e no cinema.
Marcaram encontro no Rio de Janeiro, depois do retorno da viagem. Só que deu chabu na hora do "vamos ver" ou, se preferem, na hora do "pega pra capar". O compositor de "Ninguém Me Ama" "queimou na largada". Encurtando esse papo: ele brochou.
Maior vexame? Aparentemente, nem tanto. Antônio Maria levou tudo no bom humor e até contou o "acontecido" a Cony, com a seguinte observação: "Você brochou". O próprio Cony falou desse caso várias vezes nas entrevistas.
Avião também é o assunto de outro caso envolvendo Carlos Heitor Cony. Ao embarcar, Cony sentou-se ao lado de um passageiro e, pouco antes da decolagem, notou que o sujeito fazia, digamos, uma espécie de ritual.
Depois, o passageiro explicou que tinha feito um pedido de proteção ao voo ao Caboclo Ventania. Cony contou o episódio numa saborosa crônica na Folha de S. Paulo.
Em linhas gerais, ele disse que ficou feliz por viajar ao lado de tão honrosa companhia, no caso, o ilustre passageiro Caboclo Ventania, que garantiu a segurança do voo.

DROPS DE CARLOS HEITOR CONY

Biquínis e mensagens devem ser curtos para aguçar o interesse e longos o suficiente para cobrir o objeto.

Antes da frase do de Gaulle, todo brasileiro sério já sabia disso.
(sobre a frase atribuída a de Gaulle: "O Brasil não é um país sério".

Deixei de acreditar em Deus no dia em que vi o Brasil perder a Copa do Mundo no Maracanã.

Nostalgia é saudade que vivi, melancolia é saudade do que não vivi.
 
O macaco melhorou ou foi o homem que piorou?
 

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