A diferença entre o estresse que fortalece e o que adoece

OPINIÃO - Osmar Marchioto Jr.

Data 15/07/2026
Horário 04:30

Uma dose curta e passageira de estresse melhora a memória, reforça a imunidade e chega a beneficiar a saúde, ao passo que esse mesmo estresse, quando se prolonga, produz o efeito contrário e adoece o corpo. É essa diferença entre a versão momentânea e a versão permanente que determina se a tensão do dia a dia vai fortalecer ou desgastar o seu coração.
Para entender por que uma parte do estresse faz bem, precisamos entender a sua função e origem. O estresse é um sistema de alarme que prepara o corpo para enfrentar uma ameaça, e é por isso que, diante de uma dificuldade, o cérebro libera hormônios que aguçam a atenção, aceleram o coração e disponibilizam energia para que a pessoa reaja melhor naquele instante. Quando o problema se resolve, esses hormônios baixam e o corpo volta ao normal. É justamente esse ciclo rápido, ligar diante do desafio e desligar assim que ele passa, que mantém o organismo treinado, do mesmo jeito que o esforço de uma corrida cansa na hora, mas deixa o corpo mais resistente com o tempo.
O problema surge quando esse alarme não desliga. Se a tensão deixa de ser momentânea e passa a acompanhar a pessoa o dia inteiro, das preocupações que não terminam à rotina que não dá folga, o corpo nunca completa o ciclo, e os hormônios do estresse permanecem altos o tempo todo, num desgaste constante que rouba o sono, eleva a pressão e derruba o ânimo, até comprometer a sua saúde. Ou seja, o que adoece não é o estresse em si, mas o fato de ele nunca ir embora.
Foi para lidar com essa diferença que um grupo de neurocientistas da Universidade de Michigan publicou, em julho de 2026, na revista científica Neuron, uma ideia simples e disruptiva: a de que a capacidade de suportar o estresse pode ser treinada, assim como se treina o condicionamento físico. Uma mente treinada se comporta como um coração bem condicionado, que dispara quando é exigido e volta rapidamente ao repouso.
O lado prático dessa proposta está na prevenção, como acontece em outras áreas da saúde. Em vez de esperar que o estresse se acumule e provoque uma crise, a ideia é fortalecer, no dia a dia, a capacidade do corpo e da mente de voltar ao equilíbrio. Isso envolve medidas como manter um sono regular, praticar atividade física, cultivar boas relações e reduzir a exposição contínua a situações que deixam o organismo em estado de alerta sem necessidade.
A conclusão é mais realista do que a ideia de eliminar o estresse da vida. Como isso não é possível, o mais importante é permitir que o corpo se recupere depois dos momentos de tensão. É esse equilíbrio entre esforço e descanso que ajuda o organismo a lidar melhor com as pressões do dia a dia e reduz o desgaste ao longo do tempo.
 

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