Alessandra Bertipaglia projeta Family Room para Mostra Morar Bem

SINOMAR CALMONA

Veterana do evento, arquiteta projeta espaço focado no calor humano e resgata a ancestralidade para definir o conceito de habitar em 2026

COLUNA - Sinomar

Data 21/05/2026
Horário 04:45
Alessandra Bertipaglia: “O projeto para uma mostra é um desafio singular. Quando desenhamos para uma família, o alvo é delimitado”
Alessandra Bertipaglia: “O projeto para uma mostra é um desafio singular. Quando desenhamos para uma família, o alvo é delimitado”

Se a jovem recém-formada que dava os primeiros passos na arquitetura pudesse espiar pelo vão do tempo, dificilmente reconheceria a segurança e a desenvoltura com que Alessandra Bertipaglia caminha hoje pelas obras e escritórios de Presidente Prudente. Antes de fixar suas bases no oeste paulista, a arquiteta colecionou CEPs, morou em diferentes cidades e permitiu que a bagagem de cada mudança moldasse sua visão de mundo. O resultado dessa metamorfose ambulante é uma maturidade que transcende o desenho técnico: Alessandra aprendeu a não projetar apenas paredes, mas os sentimentos de quem vai habitar dentro delas.
Com o passaporte carimbado para mais uma edição da Mostra Morar Bem, o principal evento de arquitetura e design da região, ela já visualiza perfeitamente o cenário que pretende erguer. Longe de se render a tendências passageiras, a arquiteta carrega o entusiasmo de quem está prestes a dar à luz um novo filho criativo.
"O projeto para uma mostra é um desafio singular. Quando desenhamos para uma família, o alvo é delimitado. Na mostra, nosso cliente é o público em geral, composto por centenas de pessoas com curiosidades e repertórios completamente distintos", explica. Essa troca direta, que para alguns pode soar intimidadora, é o combustível que faz a profissional sentir o clássico "frio na barriga" mesmo após anos de estrada.

A TÉCNICA OCULTA ATRÁS DO BELO
A identidade de Alessandra Bertipaglia consolidou-se em uma tríade clara: funcionalidade, aconchego e estética. No entanto, ela faz questão de desmistificar a profissão ao lembrar que a harmonia de um ambiente não nasce por acaso ou mero capricho visual.
"Trabalhar com o belo é extremamente prazeroso. Só que, atrás dessa beleza, existe toda uma técnica rigorosa de muitos anos, uma estrutura sólida por trás de cada escolha", pontua.
Essa bagagem técnica serve como porto seguro para um perfil de cliente que também mudou drasticamente ao longo dos últimos anos. Se antigamente o arquiteto era visto como um artigo de luxo acessível a poucos, hoje ele é compreendido como um garantidor de economia e estabilidade.
"As pessoas perderam o medo. Hoje, quem nos contrata busca tanto a segurança de obra, para evitar o desperdício de refazer etapas, quanto uma profunda segurança emocional. O cliente quer o apoio de quem sabe exatamente o que está fazendo", avalia Alessandra.

UM MANIFESTO CONTRA A FRIEZA DOS CUBOS
Ao longo de suas participações na Mostra Morar Bem, Alessandra testemunhou a evolução do próprio evento, que nos últimos dois anos refinou sua concepção estrutural e a forma de conectar os visitantes a cada espaço. Para a edição de 2026, a arquiteta escolheu dar vida a um Family Room (sala de convivência familiar). Será um santuário de encontros, projetado tanto para a intimidade dos moradores quanto para a recepção calorosa de amigos.
Ao analisar o significado de "morar bem" em 2026, em um cenário hiperconectado pela automação residencial e pela busca por sustentabilidade, Alessandra propõe uma quebra de paradigma estético. Para ela, o design de interiores está fazendo as pazes com o passado para curar o estresse da vida moderna.
"Passamos por uma fase de muito cubismo, onde tudo era excessivamente quadrado, rígido e frio. Agora, estamos voltando ao calor humano. É o retorno daquela atmosfera de 'casa de vó', do lugar que tem cheiro, que tem memória afetiva."

O LAR COMO ABRIGO DA ALMA
As novas tecnologias e texturas que chegam ao mercado de decoração não servem mais apenas para ostentar modernidade, mas para abraçar o lado emocional do indivíduo. Na visão clássica e sensível de Alessandra, o avanço tecnológico só faz sentido se estiver a serviço do bem-estar psicológico.
O Family Room que ocupará a mostra deste ano foi desenhado justamente sob essa premissa: um espaço onde a inovação convive harmonicamente com o clássico, gerando aquela sensação imediata de acolhimento que faz o visitante suspirar e querer permanecer.
No fim das contas, o trabalho de Alessandra Bertipaglia é um lembrete sutil de que, independentemente das inovações que o futuro reserve, a arquitetura mais poderosa continua sendo aquela que transforma tijolos e argamassa em um verdadeiro refúgio para a alma.


ARQUITETA ALESSANDRA BERTIPAGLIA CONFIRMOU PARTICIPAÇÃO EM MAIS UMA EDIÇÃO DA MOSTRA MORAR BEM


  
 

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