Alívio na vacinação de professores?

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 17/06/2021
Horário 05:00

Depois de meses de angústia e preocupação com a infecção nas escolas, é com sensação de alívio que teve início a vacinação dos professores e profissionais da educação com idades inferiores a 47 anos. Iniciada no último dia 11, a cobertura vacinal desse público era uma necessidade básica para um retorno mais seguro e saudável das atividades escolares. Apesar da alegria desse momento, é necessário lembrar que a vacina chegou tarde para muitos de nós. 
Levantamento da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) mostra que desde o retorno em fevereiro, ocorreram 2.652 infecções de profissionais da educação, em 1.173 escolas públicas e privadas, com 95 óbitos registrados, sendo três casos de óbitos entre estudantes. Estudos científicos, recentemente publicados, mostraram que as infecções entre professores são três vezes maiores do que no restante da sociedade. 
Em Presidente Prudente, as infecções nas escolas têm sido mais comuns do que se imagina. Embora, estranhamente, não tenhamos dados oficiais a respeito, as notícias de casos entre professores e estudantes são recorrentes, e certamente, reflexo do alto índice de transmissão observada na cidade como um todo. Depois de cinco meses na sala de aula (sem vacina), observo que o comportamento irresponsável de parte significativa da sociedade prudentina, fora dos espaços escolares, incide diretamente no aumento das contaminações, dentro e fora da escola.
Entretanto, é com sensação de luto que constatamos que a velocidade com a qual a ciência colocou à nossa disposição tão grande variedade de vacinas, não tenha sido acompanhada na mesma proporção pelo governo federal, que, segundo o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), deixou a farmacêutica Pfizer sem respostas por 81 vezes. 
É por essas e outras razões que devo lembrar ao leitor que, apesar da vacina no braço e da esperança em dias melhores, a situação da pandemia ainda é caótica, principalmente em Presidente Prudente, onde os novos casos diários estão na casa das centenas e os óbitos por Covid-19 viraram rotina. 
A ciência foi rápida e competente em colocar à nossa disposição diferentes imunizantes, modernos e eficientes. Contudo, não deixe a ideologia e a falta de vontade política fazer sua dose atrasar, sob pena de ser tarde demais. 
 

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