Almoço em Família

O Espadachim, um cronista contra atos antidemocráticos de Norte a Sul e de Leste a Oeste

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 24/06/2020
Horário 05:30

Todo domingo era batata e outros legumes: a família liderada pelo patriarca Tonico Pamonha se reunia no casarão dele para o tradicional almoço, quase sempre macarronada regada com vinho. Uma cachacinha também estava à disposição dos comensais. Era pinga boa, cachaça de alambique e, por falar nisso, seu Tonico exportava a "branquinha" para vários países. Não sei se a China estava entre os importadores.

Aos 92 anos, seu Tonico sentia o peso da idade e, por falar em peso, é melhor sentir o peso argentino no bolso. E quanto mais cheio o bolso, melhor. Ao que se sabe, ninguém reclama do peso do dinheiro, desde que a grana lhe pertença e foi obtida com o suor do seu trabalho.

Filhos, tios, sobrinhos, noras, genros e netos costumavam chegar cedo para o almoço. Alguém sempre trazia uma mistura diferente, descartando churrasco, carne de porco e frango assado, além de pratos da culinária italiana. Era a reunião dos italianos, como brincava um dos filhos do seu Tonico, o Leopoldo, que, cansado de tanto comer brachola, decidiu inovar no quesito mistura, denominação atribuída, principalmente, às carnes em geral.

Aliás, na falta da carne, ovo frito também é mistura e, retomando o fio da meada, teve um domingo em que o Leopoldo apareceu no casarão com uma caixa debaixo do braço. Dentro da caixa estava a mistura - ou o prato principal - do almoço. Era uma "coisa" viva e que diabo era aquilo? Depois de abraçar efusivamente o pai, Leopoldo colocou a caixa debaixo de uma mesa na sala principal.

Curioso, um dos netos do seu Tonico e filho do Leopoldo, como é óbvio, cismou com a caixa. O que ela escondia? Sorrateiramente, o menino se aproximou e não pensou duas vezes. Abriu a caixa e foi um deus nos acuda. De dentro da caixa saiu uma enguia, aquele peixe com jeitão de cobra. O neto deu um grito de Tarzan.

Com a sua calma habitual, o que parece raro na "italianada" (tenho uma pata na Bota), seu Tonico, nada Pamonha na ação, acudiu o neto e o colocou sentadinho numa poltrona. Depois, pegou a enguia, que se arrastava pelo piso, e a jogou fora por uma janela. Gatos que estavam lá fora miaram de satisfação. "Não pode deixar a janela aberta, sempre entra bicho estranho", justificou seu Tonico. Talvez por causa de sua idade mais avançada do que centroavante em impedimento, mais não disse nem lhe foi perguntado.

DROPS

Weintraub foi embora para os EUA sem pagar pelos seus erros de português.

Se a gripezinha já matou mais de 50 mil pessoas no Brasil, mais do que a gripe espanhola, imaginem se fosse uma gripezona.

Nova dupla caipira na praça: Girão e Giromini.

A fome que grassa por aí não tem nenhuma graça.

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