Anprosem aposta em qualificação técnica para elevar produtividade da gramínea Llanero

1º Encontro de Produtores de Llanero reúne 70 especialistas em Presidente Bernardes para discutir regularização, tecnologia e o fortalecimento do cooperativismo no setor

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 19/07/2026
Horário 05:55
Foto: Cedida
Centro de Pesquisas da Anprosem, em Presidente Bernardes
Centro de Pesquisas da Anprosem, em Presidente Bernardes

Na última sexta-feira (17), o Centro de Pesquisa da Anprosem (Associação Nacional dos Produtores de Sementes de Gramíneas e Leguminosas Forrageiras), em Presidente Bernardes, sediou o 1º Encontro de Produtores da cultivar Llanero (Urochloa humidicola). Durante seis horas de intensas discussões, produtores e especialistas debateram os rumos de uma cultura que coloca o oeste paulista em posição de destaque no cenário nacional, sendo o principal polo produtor desta semente no Brasil.

Ricardo Farias, do Laboratório Primor, destacou a urgência de uma mudança de postura no setor. "A semente Llanero é específica da nossa região e essencial para a pecuária nacional, mas o setor sofre com a falta de infraestrutura e instrução técnica. Precisamos de apoio do Ministério da Agricultura e de uma mentalidade de alta produtividade, como a japonesa: produzir mais em espaços menores", alertou Farias. Ele defendeu que a adesão dos produtores à ANPROSEM é o caminho para captar recursos e fortalecer a representatividade da categoria.

Papel da regularização jurídica e técnica

Um dos pilares do evento foi a orientação legal e normativa. O assessor jurídico da Anprosem, Dr. Rodrigo Ragazzi, enfatizou a importância de o produtor se enquadrar nas exigências do Mapa (Ministério da Agricultura). "O produtor tem uma demanda de regularização de registro para inserir-se no mercado de forma legal. A falta de conhecimento das normas é um entrave que estamos trabalhando para superar", explicou.
O diretor da Anprosem, Felício Cyrillo, reforçou que o trabalho atual é de inclusão. "Temos uma quantidade enorme de produtores à margem da legislação. Estamos trazendo essas pessoas para o contexto de produtividade e assistência, com a intenção de que sobre mais dinheiro no bolso do produtor. O cooperativismo é a ferramenta ideal para dividir custos com beneficiamento e insumos", afirmou Cyrillo.

"Não é pasto, é produção de sementes"

A secretária executiva da Anprosem, Sandra Ferreira, trouxe o aspecto técnico da multiplicação de sementes, alertando sobre a confusão entre produzir pasto e produzir sementes. "Como multiplicadores, vocês são cooperantes das empresas. Produzir sementes exige rastreabilidade, planejamento prévio e cumprimento rigoroso dos prazos do Mapa. Não se pode simplesmente decidir colher semente sem o devido registro no Sigef [Sistema de Gestão Fundiária]", advertiu.

Sandra detalhou a importância da conformidade documental, destacando que "sem a nota fiscal de origem ou termo de conformidade, a semente é considerada ilegal". Ela também reforçou o apelo pela união do setor: "Nossa região precisa consolidar sua vocação. Precisamos dar apoio para que esses multiplicadores não desistam da atividade e permaneçam nela com segurança jurídica".

Visão estratégica para o futuro

O presidente da Anprosem, Luis Carlos Greghi, contextualizou a necessidade de proteção ao produtor regional diante da concorrência de outras áreas, como o Mato Grosso do Sul. "A lei está mudando, o Mapa está mais exigente. Nosso papel hoje é conscientizar os produtores para que, unidos, eles tenham o respaldo legal necessário para a produção. O oeste paulista é o reduto da Llanero e precisamos proteger essa liderança", concluiu.

Ao final do encontro, ficou claro o consenso entre os presentes: o futuro da produção de sementes forrageiras na região depende da profissionalização, da adoção de tecnologias de correção de solo — conforme orientado pelo Dr. Tiago Catuchi — e da formalização através de cooperativas, transformando o "produtor antigo" em um "multiplicador estratégico" de alta performance.

Cedidas

Participantes do 1º Encontro de Produtores da cultivar Llanero, no Centro de Pesquisa da Anprosem


Agrônomo Tiago Aranda Catuchi, professor da Unoeste, falou aos produtores sobre fertilidade de solo


Luis Carlos Greghi, presidente da Anprosem: “O oeste paulista é o reduto da Llanero e precisamos proteger essa liderança”


Sandra Ferreira, secretaria executiva da Anprosem: “Produzir sementes exige rastreabilidade, planejamento prévio e cumprimento rigoroso dos prazos do Mapa”


Ricardo Farias, do Laboratório Primor: “A semente Llanero é específica da nossa região e essencial para a pecuária nacional”


Dr. Rodrigo Ragazzi, assessor jurídico da Anprosem, enfatizou a importância de o produtor se enquadrar nas exigências do Ministério da Agricultura


Felício Cyrillo, diretor da Anprosem: “O cooperativismo é a ferramenta ideal para dividir custos com beneficiamento e insumos”

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