Antonio Sapienza

Estava desligando o meu notebook (06/05/26) e lembrei do dia 06/05/1856, que é o dia do nascimento de Sigmund Freud (1856-1939), médico neurologista austríaco e fundador, o pai da psicanálise. Resolvi escrever então, sobre alguém que o representou muito bem e que também formou-se médico, especializou-se em ginecologia e após fazer análise foi fazer a formação para tornar-se psicanalista: Dr. Antonio Sapienza. 
Ele destacava-se em sua generosidade, dividia tudo que sabia com todos. Ganhei de presente de Deus, a realização da segunda supervisão oficial com ele. Ele me recebia sorrindo, após minha longa viagem de Presidente Prudente até São Paulo, muito bem. E eram todas as segundas-feiras, durante dois anos, resultando em 80 horas. Com ele aprendi muito, levando um caso clínico para a sua supervisão. Faz parte do tripé da formação psicanalítica, ser acompanhada por um analista didata e isso é uma exigência da IPA (Associação Psicanalítica Internacional) onde sua sede fica em Viena e também criada por Freud.
Eu chegava, sentava-me em sua sala de espera, daí um pouco, iniciava um barulho peculiar sinalizando sua aproximação da porta de seu consultório. Ele caminhava de forma muito lenta e arrastava um pouco os sapatos no chão. Já sabia que logo abriria a porta. Considerava estar com Sapienza, um grande divertimento, ríamos muito, naquela época ele tinha 84 anos. Sua sensibilidade, empatia e senso humanitário eram admiráveis e transbordantes. 
Dia a dia ele dividia, comigo suas leituras, mostrava os livros e dizia: ‘Leia, irá gostar e pode auxiliar você, em seu relatório, em sua escrita’. Lá ia para as livrarias ou comprar o livro com a nossa querida Maura Books, que Deus a tenha. Ele pediu ou sugeriu gentilmente, para ler a “Bíblia de Jerusalém”, o livro “Introducing Melanie Klein, A Graphic Guide”, de Robert Hinshelwood, Susan Robinson & Oscar Zarate, “Nos Ombros dos Gigantes”, “Mário e o Mágico” e “A Montanha Mágica”, ambos de Thomas Mann. 
Lembro que “A Montanha Mágica”, ele insistiu que, todo psicanalista que se preze, deveria lê-lo. Estou lendo atualmente, e é fascinante, só que sinto necessidade de estar, em alguns pontos relendo, pois é profundo e complexo. Os seus personagens são caricatos e curiosos, principalmente o Sr.Settembrini e os dois médicos que cuidam do luxuoso sanatório Berghof, situado em Davos, nos Alpes Suíços. O sanatório era especializado no tratamento de tuberculose, o local era conhecido por promover a cura através do ar puro da montanha.
Na história, o protagonista Hans Castorp vai visitar o primo, mas acaba ficando internado por sete anos nesse sanatório. É um livro extenso de muitas páginas, mas vale a pena. Há muitos outros que Dr. Sapienza indicou e muitos textos que escreveu. Não há palavras para descrever a experiência em ser sua supervisionanda, atravessamos a pandemia e, mesmo assim, conseguimos finalizar. Realizamos nossa reunião cientÍfica juntos e pude apresentar meu segundo relatório numa grande ciranda envolvendo os colegas. Sapienza, assim como Sigmund Freud, não morrerá jamais. Ele sempre será lembrado pelo legado que nos deixou.
 

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