Ato simbólico em Prudente celebra Revolução Constitucionalista de 1932

Há 89 anos, mais de 1 mil cidadãos prudentinos responderam ao chamado da democracia e participaram da ruptura da política do “café com leite”, umas das principais causas da “Guerra Paulista”

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 09/07/2021
Horário 12:03
Foto: Weverson Nascimento
Convidados se reuniram em frente ao monumento dedicado aos combatentes da “Guerra Paulista”
Convidados se reuniram em frente ao monumento dedicado aos combatentes da “Guerra Paulista”

É possível que você já tenha transitado pelas ruas conhecidas como Tenente Nicolau Maffei, Tenente Casemiro Dias ou pela praça central, a Nove de Julho, em Presidente Prudente. Hoje, essas vias levam esses nomes porque foram estes alguns dos prudentinos que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932, tornando-os verdadeiros símbolos combatentes. Há 89 anos, inclusive, eles se somavam a 1 mil cidadãos prudentinos que também responderam ao chamado da democracia e formaram um batalhão de voluntários. Na manhã desta sexta-feira, o tradicional evento que celebra a data ocorreu de forma simbólica no monumento dedicado aos combatentes, em frente à Praça Nove de Julho, no centro de Prudente.
A Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Revolução de 1932 ou “Guerra Paulista” foi um movimento armado ocorrido nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, entre julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, conforme histórico do governo paulista. Uma das principais causas do conflito foi a ruptura da política do “café com leite”, alternância de poder entre as elites de Minas Gerais e São Paulo, que caracterizou a República Velha.
Promover conhecimento e deixar um legado às futuras gerações é um dos grandes significados do evento que ocorre anualmente em Prudente. O ato de reconhecimento, inclusive, foi externado pelo comandante do CPI-8 (Comando de Policiamento do Interior), Adriano Aranão, ao relembrar os mais 1 mil prudentinos que lutaram para defender a Constituição em São Paulo. “Em 1932, a força pública do Estado de São Paulo esteve presente defendendo a lei e a ordem, o Estado e o povo do paulista. Hoje, a nossa polícia continua firme e pronta para servir a sociedade com fizeram os jovens na Revolução de 1932”.
O major Luís Nelson Disaró, por sua vez, acrescentou que a solenidade de Nove de Julho é muito importante para a população paulista, pois relembra aqueles que lutaram pelo ideal da Constituição e da legalidade. “Não podemos deixar que a história de São Paulo, e, consequentemente, de Presidente Prudente, seja esquecida”, reforça. 

"Um paulista não se entrega"

O representante da Loja Maçônica Vicente Neiva, Alberico Peretti Pasqualini , levou ao encontro uma espada usada em combate durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que, inclusive, é utilizada no tradicional desfile cívico no município. “Temos a honra de estarmos aqui trazendo a voz altiva daqueles que não sucumbem à ditadura”. 
Vitor José Bazzo, presidente do Núcleo de Presidente Prudente “Bravos Prudentinos de 32”, também relembrou aqueles que participaram da “Guerra Paulista”, e agradeceu o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Prudente em honra dos bravos combatentes. “Essa comemoração acontece graças às pessoas que não deixaram este marco ser esquecido”, enfatiza.  O ato simbólico também contou com a presença do deputado estadual Mauro Bragato (PSDB), que, em rápidas palavras, ressaltou a satisfação de participar do “evento” e a importância de celebrar o movimento de 32. “Saudações aos combatentes da revolução e aqueles que hoje estão lutando por dias melhores”.  
Na celebração, o chefe de gabinete, Vander Jonas Martins, representou o prefeito Ed Thomas (PSB). “Que nosso carinho e apreço possam alcançar o coração de cada um daqueles que lutaram para garantir melhores condições de vida para todos nós”, declara.
A programação da Revolução Constitucionalista de 1932 também contou com ações da Secult (Secretaria Municipal de Cultura). Uma delas foi feita pela Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes, que realizou uma audição online apresentada por estudantes do curso técnico profissionalizante. O Museu e Arquivo Histórico Municipal Prefeito Antônio Sandoval Netto também disponibilizou registros e artefatos da “Guerra Paulista”. Por lá, uma exposição estará aberta durante todo o mês respeitando as medidas sanitárias.   

Lembranças: “Um paulista não se entrega”

- Tenente Coronel Miguel Brisola de Oliveira era comandante do batalhão de Presidente Prudente e foi o responsável direto pela formação e organização. Em homenagem, seu nome foi dado ao PUM (Parque de Uso Múltiplo);
- Major Médico Domingos Leonardo Cerávolo foi chefe do serviço médico do batalhão prudentino. Seu nome foi dado ao HR (Hospital Regional) de Presidente Prudente;
- Tenente Nicolau Maffei tem seu nome imortalizado na rua do calçadão;
- Tenente Casemiro Dias comandava uma patrulha de reconhecimento, missão dada aos mais valentes e, hoje, seu nome é registrado em uma das principais ruas da cidade.

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