Bancos de sangue se adaptam a critérios de doação

Vacinados contra a doença só podem realizar procedimento após quatro semanas da vacinação; infectados só depois de seis meses

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 12/03/2017
Horário 11:05


A fim de impedir que o vírus da febre amarela se espalhe pelos mais diversos cantos do país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério da Saúde mudaram os critérios clínicos de triagem de candidatos à doação de sangue. A recomendação agora é que os interessados em realizar a doação de sangue e que já tiverem sido vacinados contra a doença deverão aguardar quatro semanas para realizar o procedimento, contados a partir da data da vacinação. Já os candidatos que foram infectados pelo vírus serão considerados inaptos para doação por um período de seis meses. Em Presidente Prudente, os bancos de sangue do HR (Hospital Regional) Doutor Dominado Leonardo Cerávolo e o anexo à Santa Casa de Misericórdia atendem a indicação.

Jornal O Imparcial Em PP, bancos de sangue estão adequados aos novos critérios

De acordo com o Ministério da Saúde, as recomendações foram divulgadas por meio de notas técnicas conjuntas com a Anvisa. "A medida inclui a triagem de doadores de órgãos e tecidos e visa à prevenção da transmissão do vírus da febre amarela", expõe. Segundo a pasta, as notas foram emitidas considerando os recentes registros de casos de febre amarela silvestre em regiões do Brasil, alertando para a necessidade de se considerar o risco de transmissão dessa doença por meio de transfusão sanguínea ou transplante. "Isso porque há relatos de transmissão do vírus por transfusão após a vacinação de doadores de sangue", complementa.

A medida indica ainda que os critérios referentes ao período de inaptidão clínica poderão ser mais restritivos, caso esses serviços avaliem ser mais apropriado para a realidade epidemiológica local, o que não é o caso de Prudente. Porém, embora não registre casos de febre amarela desde 1985, o município está dentro da ACRV (área com recomendação de vacina).

 

Em Prudente


A enfermeira do hemonúcleo anexo à santa casa, Andrea Lavezzo, explica que, embora diversos casos tenham sido registrados recentemente, não existem evidências de transmissão do vírus por transfusão de monocomponentes oriundos de doadores que contraíram a doença. "Os casos de febre amarela relatados no Brasil, até o momento, são de forma silvestre e, portanto, o principal fator de risco é a exposição de indivíduos não vacinados a áreas silvestres rurais ou de mata dos municípios identificados", frisa. Aponta, no entanto, que o órgão já adotou as orientações da Anvisa desde o dia 8.

Andrea pontua que candidatos à doação de sangue que vivam em áreas silvestres, rurais ou de mata dos municípios com casos suspeitos ou confirmados de febre amarela – estão atualmente na lista Ribeirão Preto, Olímpia e Batatais – e que não tenham sido vacinados contra a febre amarela também deverão ser considerados inaptos, assim como os interessados que tenham viajado para tais áreas e que não tenham sido vacinados. Estes últimos não poderão realizar o procedimento por um período de 30 dias após retorno da área de risco.

"Durante a triagem clínica serão considerados inaptos os candidatos que apresentam os sintomas mais comumente manifestados quando por infecção pelo vírus da febre amarela, como: febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza", ainda promove Andrea.

Sobre o assunto, a Secretaria de Estado da Saúde, que responde pelo HR, declara que segue as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

 

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