Ben-Hur: “o limite do algoritmo é a alma humana”

SINOMAR CALMONA

Em Presidente Prudente, jornalista e pesquisador da UFREJ desmistifica a Inteligência Artificial e aponta o contexto local como o grande trunfo do profissional

COLUNA - Sinomar

Data 22/05/2026
Horário 05:45
Ben-Hur Correia tem longa trajetória na TV Globo e atua como pesquisador em Inteligência Artificial
Ben-Hur Correia tem longa trajetória na TV Globo e atua como pesquisador em Inteligência Artificial

O contraste não poderia ser mais emblemático. Sob as luzes da superintendência do Sicredi Rio Paraná, em Presidente Prudente, um homem que já vivenciou a pulsação de coberturas em mais de 15 países, cruzou os bastidores de Copas do Mundo e reportou diretamente de bases em Nova York e Paris, gesticulava diante de uma plateia atenta de mulheres e jovens. Ben-Hur Correia, hoje uma das vozes mais respeitadas do Grupo Globo na decodificação da IA (Inteligência Artificial), trazia na bagagem acadêmica de seu doutorado na Coppead/UFRJ uma provocação perfeitamente sintonizada com o interior: o avanço tecnológico não veio para anular o homem, mas para devolvê-lo à sua própria essência.
O silêncio obsequioso do auditório desfez-se assim que o jornalista subiu ao palco na noite da última quarta-feira. Longe dos jargões herméticos dos laboratórios de computação, a mensagem inicial de Ben-Hur soou como um mapa de navegação prático para o cotidiano.
"É um primeiro momento de todo mundo entender qual é o setor de evolução que a gente está com a IA hoje em dia, como ela está presente dentro da nossa sociedade e o que temos que fazer para acompanhar esse momento atual", destacou, com a naturalidade de quem traduz a complexidade do amanhã na tela da televisão.

A LIBERTAÇÃO DO INTELECTO HUMANO
Ao destrinchar o impacto imediato da tecnologia no mercado de trabalho, o pesquisador desarmou os temores apocalípticos de substituição da mão de obra. Para ele, o verdadeiro poder da IA reside na capacidade de atuar como uma espécie de operária de luxo para os gargalos burocráticos do dia a dia.
"A IA resolve tarefas repetitivas e mecanizáveis que temos dentro das nossas funções. Aquele relatório exaustivo feito toda semana, a função de sumarizar vários e-mails ao mesmo tempo, de resumir conteúdos densos... É algo que você sabe que não precisa gastar o seu intelecto. Você pode deixar a sua análise crítica para outro momento", pontuou Ben-Hur.
A análise do jornalista propõe uma inversão de valores: ao delegar o automatismo para os códigos, sobra mais tempo para o pensamento estratégico, para a criatividade e, acima de tudo, para o cultivo das relações — uma moeda valiosa dentro do ecossistema do cooperativismo.

O GARGALO GLOBAL E O TRUNFO BRASILEIRO
Como pesquisador imerso nos centros acadêmicos da UFRJ, Ben-Hur também trouxe um panorama realista sobre a posição do Brasil na corrida tecnológica global. Ele reconhece que o país corre atrás no desenvolvimento dos chamados modelos fundacionais — a infraestrutura base da IA —, mas reitera a excelência das mentes científicas nacionais.
"As nossas universidades têm capacidade para isso. Temos a Universidade Federal de Goiás, que é um expoente nas pesquisas de IA, além da USP e da UFRJ", elogiou. O grande entrave, segundo ele, é econômico e geopolítico. "IA depende muito de processamento de computador, o que é muito caro e muito difícil no mundo inteiro. Não é um problema exclusivo do Brasil, mas a gente ainda depende de poucas empresas no mundo, e isso é um gargalo grande."
Por outro lado, o palestrante revelou um trunfo silencioso guardado em solo nacional. "Infraestrutura de dados a gente tem. Não temos tanto processamento, mas temos riqueza de dados, catalogação e bases muito ricas e bem estruturadas aqui no Brasil, o que nos dá uma grande vantagem competitiva", revelou.

O VALOR INSUBSTITUÍVEL DO CEP
A grande resposta da noite surgiu quando o debate tocou no equilíbrio sensível entre a eficiência algorítmica e a preservação do fator humano. Para Ben-Hur Correia, a blindagem profissional contra a obsolescência tecnológica não exige que nos tornemos ciborgues, mas sim que sejamos mais humanos do que nunca.
O segredo, segundo o especialista, está no valor do território e do pertencimento. "É entender quais são os aspectos seus, humanos, que uma IA nunca vai conseguir reproduzir, e trabalhar em cima deles. A capacidade relacional, aquele conhecimento de contexto que você tem da sua cidade, da sua comunidade, dos seus clientes... Isso uma IA não vai ter", sentenciou.
Ao final do encontro, a lição que ecoou pela superintendência do Sicredi foi clara: o algoritmo pode cruzar bilhões de dados em frações de segundo, mas jamais compreenderá as nuances culturais, os afetos e as necessidades reais que pulsam no interior de cada comunidade. Diante de um amanhã hiperconectado, o verdadeiro sucesso corporativo e social pertencerá àqueles que utilizarem as máquinas para otimizar os processos, guardando para si a exclusividade do olhar atento, da empatia e da sensibilidade de compreender o outro — territórios onde os códigos simplesmente não conseguem decifrar.

RAPIDINHAS
...
A esperança enxerga o invisível.
...
O movimento Maio Amarelo pretende alertar a população sobre a epidemia de mortes no trânsito brasileiro.
... 
Em 2026, cerca de 43 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito no Brasil. É como se um avião caísse e matasse 150 pessoas todos os dias. Homens jovens são as maiores vítimas.
...
Containers de locação de equipamentos para construção: Ideia inovadora da Comercial Vedovati facilita a vida de quem está construindo em Prudente
...
Parabéns à Comercial Vedovati pela ideia inovadora, que já é referência em mobilidade e praticidade no setor de locação de equipamentos em Prudente.
...
Um mercado em plena expansão no Brasil é o de pet shops. Recente pesquisa do Sebrae revelou que existem mais de 40 mil lojas no país especializadas em tratamento e produtos para animais
...
Uma das aulas mais procuradas na Academia Enforma é a de hidroginástica.
...
A atividade praticada dentro da água elimina o peso do corpo e evita lesões musculares e nos tendões e ligamentos, essencial em qualquer idade. De acordo com o professor Renan Porto, os resultados são positivos e breves quando praticado pelo menos três vezes na semana.  
...
Ponto final: Não dá para abraçar o mundo sozinho. Dê as mãos para alguém. #GentilezaGeraGentileza
 

Publicidade

Veja também