Bicadas e Bicudos

O Espadachim, um cronista que deseja aos leitores um feliz segundo semestre

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 28/07/2020
Horário 05:30

Em duas ocasiões, o Bolsonaro foi atacado por emas que vivem na área do Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente. As aves deram bicadas no Bolsonaro. Também em outra ocasião, a terceira, ele se envolveu de novo com uma ema. Para seus críticos, foi uma cena bizarra, prato cheio para humoristas.
As imagens são claras: o presidente está com uma caixa de cloroquina na mão e dá a impressão de que vai oferecer o medicamento a uma ema, que se afasta. Vai ver a ema pensou: "Sai pra lá com esse negócio de cloroquina, sô! Eu, hein? É certo que sou o avestruz brasileiro, mas não tenho estômago de avestruz".
Tudo leva a crer que o Mito Messias está mal assessorado. Precisa contratar um bom assessor de imprensa, talvez um Franklin Martins de direita para fazer jus ao seu governo. O que aconselharia o assessor? "Presidente, cuidado com as emas. A bicada é forte e pode machucar", diria o assessor.
Se o Bolsonaro, de agora em diante, insistir em se aproximar das emas, o assessor, depois de consultar o Zoológico de Brasília, poderia orientar o presidente para não ser bicado de novo. Basta oferecer ração ou - por que não? - um bolo de capim bem verdinho. "Presidente, leva a ração na pasta", aconselharia o assessor e tenho certeza que as aves adorariam.
Por falar em bicadas, dois bicudos não se beijam, não é mesmo? Lembrei-me deste ditado antigo depois das bicadas das emas no presidente. Tal ditado é uma alusão às pessoas de temperamento forte, enfim, gente "carne de pescoço" ou "casca grossa". Exemplos não faltam, principalmente entre os políticos e, no caso em questão, não tem nada a ver com moral. Apenas questão de temperamento.
Bolsonaro e Marreco, mais conhecido pela alcunha de Moro, são um exemplo clássico de dois bicudos que não se beijam. Ou não se beijam mais. Bolsonaro e Doria idem, como também Bolsonaro e Witzel. 
Lula e Ciro Gomes também são bicudos que não se beijam para desespero de setores da Esquerda, que queriam ver os dois juntos na "batalha de 22". Dois bicudos não se beijam também é o nome de um disco antológico, que reuniu dois músicos fabulosos: Poly e Waldir Azevedo. 
Poly era um exímio guitarrista e sua guitarra havaiana só faltava falar. Ou será que falava? A rumba "Moendo Café" foi magistralmente gravada por Poly. Quem ainda não ouviu não pode deixar de ouvir. 
Com seu cavaquinho, Waldir Azevedo se notabilizou com os choros "Brasileirinho" e "Pedacinhos do Céu", sem contar o baião "Delicado", que correu o mundo e teve várias gravações, entre elas a da orquestra de Percy Faith. "Delicado" é uma das 20 músicas brasileiras mais bonitas de todos os tempos. 
E o bicão? Alguém aí na plateia, que lê estas mal digitadas linhas, sabe que diabo é isso? Para quem não sabe, talvez os mais jovens, bicão é uma gíria antiga que diz respeito ao sujeito que vai a uma festa sem ser convidado. Também é chamado de penetra, coisa que os EUA acham da atuação da China em seu quintal favorito, que atende pelo nome de América do Sul.
Bicadas das emas no Bolsonaro e bicudos que não se beijam. Isso é o de menos. É café pequeno, dinheiro de pinga. O problema é que os tempos estão bicudos. E com muitos bocudos por aí.

DROPS (classificados)

Classificado: Vende-se alicate. Tratar em Alicante (Espanha).

Classificado: Compra-se pente. Tratar com Boris Johnson em Downing Street, 10, Londres. 

Classificado: Vende-se tesoura. Tratar com Dalila em Jerusalém.

Classificado: Vende-se mala por motivo de viagem.
(Alegria, cômico)
 

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