O cigarro eletrônico, conhecido popularmente como vape, se espalhou rapidamente entre os jovens, embalado por aromas adocicados, design moderno e pela ideia, ainda muito repetida, de que seria uma alternativa menos agressiva ao cigarro convencional. Na verdade, essa percepção de “menos agressivo” merece ser revista.
O aumento do uso do dispositivo tem despertado preocupação entre os profissionais da área da saúde. A atenção costuma se voltar à saúde dos pulmões, contudo, o alerta também se estende à saúde bucal. Entre os sinais mais frequentes, estão a sensação persistente de boca seca, pequenas alterações no hálito e sangramentos ocasionais da gengiva, os quais costumam ser encarados como algo sem importância. No entanto, esses sinais podem representar um dos primeiros impactos do uso do dispositivo.
A falta de saliva não é um detalhe sem importância. A saliva funciona como um mecanismo natural de defesa que protege os dentes, ajuda a controlar a acidez da boca e participa do equilíbrio da microbiota bucal, reduzindo a proliferação de bactérias. Quando a quantidade de saliva diminui, a boca perde parte da sua proteção. Estudos na área da odontologia apontam que o uso frequente do cigarro eletrônico pode alterar a produção de saliva e favorecer o desenvolvimento de cáries, mau hálito e inflamações gengivais e periodontais, explica Adrieli Neves, professora do Curso de Odontologia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).
Adicionalmente, substâncias presentes no vapor podem provocar irritação nos tecidos e contribuir para alterações na composição das bactérias e fungos que vivem naturalmente na boca, favorecendo um estado de desequilíbrio biológico. A presença de nicotina no dispositivo também favorece irritações, ressecamento e aumento da sensibilidade dentária.
Outro ponto é a associação entre o uso do vape e o hábito de respirar pela boca (“baforar”) durante o uso do dispositivo. Esse hábito intensifica o ressecamento oral e pode potencializar desconfortos e alterações gengivais ao longo do tempo. É preciso compreender que o vape altera o equilíbrio biológico natural da boca, e o primeiro sinal dos seus malefícios pode não ser uma doença.
Por isso, as alterações descritas na cavidade bucal em usuários de vape devem ser avaliadas pelo cirurgião-dentista para prevenir riscos. Reconhecer precocemente esses sinais permite intervir antes que alterações biológicas irreversíveis aconteçam, e a melhor prevenção desses malefícios para a saúde geral e bucal é o cessar do uso dos cigarros eletrônicos o quanto antes.
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Artigo integrante do projeto de extensão universitária (Proext-Reitoria 31216/2026 – Unoeste) sob coordenação da professora doutora Christine Men Martins Batista. Discentes do curso de Odontologia da Unoeste que escreveram o texto: Anthony Fontolan Lima; Bruno do Santos Dias; Felipe Jovelho Moreira; João Pedro do Carmo; João Vitor Oliveira Neri; Pedro Henrique Paiva Matos; Vitor Hugo Amorim de Lima; e Willian Leandro Gomes da Silva. Docentes colaboradores: Adrieli de Paula Couto Neves e Paula Faleiros.