Bolas

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista apartidário e membro das forças desarmadas

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 15/05/2022
Horário 05:30

Quando alguém é talentoso em seu ofício diz-se que o sujeito bate um bolão, mas a expressão também diz respeito ao futebolista bom de bola, que literalmente bate um bolão. A atual Seleção Brasileira, treinada pelo técnico que fala "titês", bate um bolão e, sendo assim, deve fazer bonito na Copa do Mundo. 
Tomara que o Brasil seja campeão pela sexta vez, se bem que isso não vai resolver as nossas mazelas sociais, como, por exemplo, o desemprego e a fome. O que vale é bola na rede, como diria o narrador esportivo Ênio Rodrigues. 
E uma bolada no bolso também vale. É disso que o povo gosta. Sem uma bolada no bolso, ou seja, uma obesa conta bancária, o povo está na Rua da Amargura, s/nº, onde o carteiro não entrega correspondência. Milhões de brasileiros, talvez uns 40 milhões, estão na maior pindaíba. 
A maior prova disso é que muitos vão aos supermercados e voltam para casa sem comprar nada, nem polvilho, porque os preços estão mais altos do que a bola no lance Jornada nas Estrelas, consagrado pelo Bernard no voleibol. Ou mais altos do que a bola do beque de fazenda, que chuta alto no futebol.
E quem pisa na bola? Taí uma metáfora interessante. Tem gente que pisa não só  na bola como também no tomate e em outros legumes. Levantar a bola para alguém chutar também é outra figura de linguagem bastante usada, principalmente nos programas de tevê.
Certos jornalistas amestrados adoram "levantar a bola" para o entrevistado chutar. Raramente deixam o entrevistado numa situação desconfortável, a da saia-justa. É o puxa-saquismo em destaque. 
Não faz muito tempo, em um avião, um repórter (?) de um badalado programa viajava ao lado do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa. Aí o sujeito começou a entrevistar "o menino que salvou o Brasil", como disse a Veja (pausa para rir). Conversa vexatória e deprimente. 
 O sujeito bajulava Barbosa de uma forma vergonhosa, sempre levantando a bola para Sua Excelência chutar. O imbecil não fez uma pergunta interessante sequer. Por pouco ele não babou no paletó do ex-ministro e, se estivesse no Supremo, haveria o risco de babar na toga.  
E o ora, bolas? Acho que é uma interjeição que designa irritação ou desaprovação com alguma coisa, comum no Brasil contemporâneo. No arremate, não poderia faltar a bola de cristal. Quem é que tem bola de cristal aí na plateia? 
Ela mostra alguma coisa, como o fim da guerra na Ucrânia e mais algum idiota contestando a urna eletrônica? Na falta do que fazer, alguns energúmenos resolveram questionar a segurança da urna eletrônica, que sempre foi segura desde a sua implantação há um bocado de tempo. Ora, bolas!

DROPS

Filme da Semana: "Os Sem-Noção", estrelando Mario Vargas Llosa e o Coroné de Sobral. 

Quando a esmola é demais o santo agradece.

Para baixo todo santo ajuda, desde que ele seja experiente.

Se a Justiça é cega, precisa de um bom oftalmologista.

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