Brincos de rubi em Auschwitz-Birkenau

Ganhei de presente, os brincos de rubi de minha mãe. Ela fará 92 anos. Foi indescritível a emoção. Para mim, é um tesouro de valor incalculável. Faz parte de toda nossa história. Fiquei emocionada também, ao pensar sobre o destino dos brincos de rubi, nos campos de concentração, ou seja, em Auschwitz. Assisti a um documentário sobre esse assunto. Imaginem todos os pertences de sua família serem sequestrados ou confiscados violentamente, pelas mãos arbitrárias e arremessados em uma sala, indiscriminadamente, para seguirem o destino alheio?
Auschwitz foi criado próximo a Cracóvia na Polônia, sendo o maior complexo de campos de prisioneiros estabelecido pelos alemães. As quatro maiores câmaras de gás daquele local comportavam, cada uma, duas mil pessoas para serem mortas por asfixiamento. Ao serem selecionadas, de forma enganosa, para “trabalhar”, as vítimas poupadas do extermínio imediato eram imediatamente privadas de sua identidade individual. Suas cabeças eram raspadas e um número de registro era logo lacrado em seus braços esquerdos, como se fossem objetos ou animais. 
As mulheres normalmente trabalhavam organizando pilhas de sapatos, óculos, chapéus, roupas, joias, e outros pertences pessoais, que haviam sido “arrancados” dos prisioneiros que chegavam constantemente. Os depósitos de Auschwitz-Birkenau, localizados, próximo a dois dos crematórios locais, onde se reduziam as pessoas a cinzas, eram chamados de Canadá. Os poloneses consideravam o Canadá como um lugar de muitas “riquezas”. Pergunto: O que seriam realmente consideradas verdadeiras riquezas? 
Os pertences dos que iam para as câmaras eram confiscados e enviados para esse depósito Canadá. E posteriormente eram enviados para outras pessoas alemãs, que nada tinham a ver, com os valores que tudo aquilo representava, principalmente para os judeus. Eram objetos de grande valor sentimental, subjetivo e singular. As malas eram subtraídas de seus donos e jogadas no depósito. Tudo se misturava, assim como os corpos que eram amontoados. Também fotografias raras de entes muito amados, joias com valores sentimentais, guardadas de antepassados. Até obturações em ouro eram arrancados com alicates. 
Algumas malas possuíam fundos falsos onde eram guardadas as notas em espécie, e assim, ali, naquele lugar, perdiam-se o valor e função, tornando-se exclusivamente para uso higiênico. A mesma tigela para alimentação servia também para defecação. Muitos dos guardas do campo enriqueceram roubando as propriedades confiscadas. “Mãos à procura de objetos de valor, na sala da dor, para chegar às mãos alheias. Vidas se perderam, gerações e gerações extintas. Separações violentas, rupturas sangrentas. Indiferença demoníaca. Arrogância e onipotência atômica”.
 

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