Cadê a Márcia C? (historinha dos bastidores da tevê)

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor do macaco e das macaquices

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 12/08/2021
Horário 05:30

Não sei de onde ela veio e nem para onde ela foi. Só sei que ela estava lá, na redação da TV Cultura, em meados dos amos 80 do século passado. Seu nome: Márcia. Já quanto ao sobrenome são outros quinhentos. Ou outros seiscentos.
Na verdade, o "sobrenome" dizia respeito ao - Oh, céus, como direi neste jornal de família? - enfim, era uma alusão ao anel de couro, já que não quero ser chulo diante de um público tão culto e sofisticado como a nossa "catigoria", como diria o saudoso sindicalista Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.
Ela se apresentava aos colegas como Márcia e emendava o insólito "sobrenome", que começa com a letra C, seguida de um U, depois um Z acrescido de A e, para completar, um O com o sinal gráfico til "cobrindo" as duas últimas letras.
Fofa, para não dizer robusta como a inflação, e desengonçada, Márcia C lembrava o personagem do ator Charles Laughton no filme "Spartacus", o grande êxito do Kirk Douglas na década de sessenta do século 20, como diz a Folha, ou século XX, como grafa o Estadão (nossa, enchi linguiça e outros embutidos para mais de metro e acho que vou trabalhar na JBS).
Não me lembro mais qual era a função dela, mas, se não me engano, ela coordenava o telejornal noturno da TV Cultura. "Rápido aí, C, já está quase na hora do jornal entrar no ar. Cadê a matéria?", cobrava dos editores. E era assim com os colegas. Chamava todo mundo de C. No aumentativo, óbvio. Maior deboche, sem papas e bispos na língua.
Nem mesmo o diretor de redação e o chefe de reportagem eram poupados. Márcia também os chamava de C. Tremendo barato! Ninguém se irritava com o "tratamento". Ela passava a imagem de uma pessoa boa. Nunca presenciei atrito dela com ninguém.  
Como afirmei na primeira linha do primeiro parágrafo, não sei de onde ela veio e nem para onde ela foi. Márcia C nos divertia e isso não tem preço. Tomara que esteja bem nestes tempos de fazer vaca não reconhecer o bezerro e égua não reconhecer o potro.

DROPS

Aviso aos maridos agressores: a Lei Maria dá pena.

Desde bebê ele mama, agora nas tetas da União.

Bebendo morre e não bebendo também morre. Então, vamos beber em conta-gotas.

Gasolina a quase R$ 6. Pedale, dona Maria!
 

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