Canil do 8º Baep adquire essências que substituem drogas em treinos

Para que os cães de faro demonstrem a habilidade durante o serviço, o treinamento precisa ser diariamente reforçado para garantir a localização de entorpecentes

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 29/05/2019
Horário 05:47
Roberto Kawasaki -  Treinamento com as essências ocorre diariamente no canil
Roberto Kawasaki - Treinamento com as essências ocorre diariamente no canil

Desde a inauguração do 8º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) em Presidente Prudente, a equipe do Canil do batalhão participa do atendimento a diversas ocorrências de combate ao tráfico de drogas na área de abrangência do CPI-8 (Comando de Policiamento do Interior). Para que os cães de faro demonstrem a habilidade durante o serviço, o treinamento precisa ser diariamente reforçado para garantir a localização de entorpecentes, o que resulta na diminuição dos índices de criminalidade na região. De forma a contribuir para o reforço no trabalho do animal, nas últimas semanas o batalhão optou por mudanças e adquiriu um equipamento que comporta essências de diversos tipos de drogas para aperfeiçoar o faro do cão.

Na área destinada ao Canil, em Prudente, um painel escuro com pequenas entradas em alturas distintas é o local onde ocorrem os treinos. A cada intervalo, a essência da droga (acoplada em um recipiente) é colocada em um dos buracos e, ao comando do policial instrutor, o animal precisa utilizar o faro para apontar a altura do entorpecente. “A gente consegue apresentar ao cão o odor livre de contaminação. Com a certeza de que o odor é puro, isso potencializa o treino e aumenta bastante a gana dos cães pelo treinamento”, afirma a cabo PM Simone da Silva Belasco, atuante no Canil. De acordo com ela, na região, Prudente é pioneira no treinamento com o uso da essência, que também recebeu essências de explosivos para as aulas.

No total, são sete cães trabalhando efetivamente com a equipe. Conforme a cabo Simone, todos têm aptidão a localizar maconha, cocaína e seus derivados. Dentre as essências adquiridas estão as de drogas sintéticas, como LSD, ecstasy, metanfetamina e heroína. “O trabalho é feito para ampliar a diversidade [de entorpecentes]. Segundo o fabricante do produto, o odor equivale a 300 kg de drogas, pois é uma concentração muito forte”, salienta Simone. No entanto, o trabalho não para por aí. Durante a semana, o treino também é feito em pistas de simulações reais de ocorrências. “O cão faz um trabalho espetacular. Não há ferramenta no mundo que supere a ferramenta do cachorro, que varre áreas enormes com rapidez e precisão, como nenhum equipamento faz”, afirma.

E é aprimorando o conhecimento dos bichos que o Canil da Polícia Militar obtém resultados positivos quando convocado para prestar apoio às demais forças policiais, como as polícias Civil, Federal e Rodoviária, bem como ao Poder Judiciário. Apenas no ano passado, o Canil da PM prestou aproximadamente 300 apoios com localização de droga, ou seja, praticamente uma ocorrência por dia.

Trabalho em campo

No local da ocorrência, o trabalho do Canil precisa ser ágil. Geralmente, dois cães participam das buscas, a depender do tamanho da área. Primeiramente é feita a vistoria de segurança, para ver se não há riscos para o cachorro. Na sequência entra o condutor do animal e o policial auxiliar, que observa a mudança de comportamento do cão que, eventualmente, passe despercebida pelo condutor. “Se o local for de fácil acesso para indicar a droga, alguns raspam, outros latem ou só colocam o focinho. Cada um tem uma maneira para indicação”, explica a cabo. “O faro é pura leitura de comportamento. Então, o ideal é que cada condutor tenha o seu animal”, salienta.

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