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Centrão, centro e centrinhos

OPINIÃO - Gaudêncio Torquato

Data 05/08/2020
Horário 04:39

Com a saída do MDB e do DEM do Centrão, bloco até então com 221 deputados, eles se tornam os pesos da balança que vai pender para a situação ou para a oposição. Permanecer no meio, brandindo o discurso de independência, é conversa fiada. Uma eventual base governista continuará sendo uma incerteza, eis que os partidos agirão doravante sob a chancela do pragmatismo. Conseguirá o governo construir sólida e duradoura articulação com o Congresso?
O MDB e o DEM tenderão a avaliar o governo pelo crivo da sociedade. Se o Brasil voltar a impulsionar a confiança de investidores, os investimentos, a taxa do PIB (Produto Interno Bruto), enfim, o produto nacional da felicidade bruta, terá condições de voltar a enxergar Bolsonaro como principal protagonista em 2022.
Mas o caminho até lá é longo. Comecemos com o assunto do momento e que paira como foice da morte sobre a cabeça de milhões de brasileiros: a Covid-19. É provável que os efeitos catastróficos da pandemia sejam sentidos até o final deste ano, mas é igualmente razoável se pensar em pequenas ondas de vírus aparecendo aqui e ali, continuando a gerar medo e angústia.
Sob essa teia de possibilidades, a política tende a receber um voto mais crítico. O governo deve ampliar o cobertor social, reforçando-o com o programa Renda Brasil a imagem positiva nas margens, a partir do Nordeste. Digamos que esse voto das margens seja repartido no seio das classes sociais. Como agirão os contingentes aboletados nas periferias das grandes cidades do Sudeste, a partir de São Paulo, Estado que, sozinho, tem 46 milhões de eleitores? Como serão os programas sociais para essas massas? 
Nesse contingente que habita o meio da pirâmide, toma vulto a expressão dos profissionais liberais, a maior tuba de ressonância do Brasil, cujo discurso flui para baixo e para cima, atingindo eleitores de todos os cantos da sociedade. 
Em suma, os centristas terão importância fundamental no processo político em transição. O eleitorado está saturado de abordagens mal educadas, palavras de baixo calão, querelas tomadas pelo ódio. 
Por descrédito na política, as pessoas procuram seus centros de referência - associações, sindicatos, movimentos, grupos de ação política. Dito isto, infere-se que o Centrão, o bloco parlamentar com 160 deputados, não terá tanta força ante os habitantes do centro da pirâmide e os centrinhos que se organizam no país. 
Se o Centrão firmar-se ao lado do presidente, levando os votos do PL, PP, PSD, Solidariedade, PTB, PROS e Avante, o governo conseguirá alívio para caminhar com desenvoltura nos corredores congressuais, evitando fantasmas que o assombram? Uma certeza: terá de redobrar esforços para afastar horizontes sombrios que ameaçam a elevação do Brasil no concerto das nações.

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