Chefe ou líder

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 18/06/2022
Horário 05:00

O chefe tem todo direito de organizar sua empresa da forma que bem entender e exigir do trabalhador, motivado pelo salário que ganha, as tarefas cumpridas com atenção, zelo, foco, compromisso e excelência. Afinal “manda quem pode e obedece quem te juízo”. A questão é que este modelo de trabalho leva a um desgaste físico e emocional para todos envolvidos e, por conseqüência, prejuízos para empresa. Se este modelo funcionasse bem, as coisas seriam bem mais simples. Bastaria pagar um pouco mais para a equipe, que a qualidade na execução do trabalho automaticamente aumentaria e com ela os lucros. Contudo, na prática os resultados são decepcionantes: os problemas logo se repetem! Por que razão isto acontece?
Como dizia o psicólogo e importante professor norte-americano, Frederick Irving Herzberg, autor da "Teoria dos dois fatores": o salário não é um fator motivacional e sim estrutural. É como comprar uma cadeira melhor para o funcionário, estruturar a supervisão, comprar pela empresa aquele café da manhã, bolo a cada aniversário, etc. Em outras palavras,  é a mesma sensação de  comprar um celular novo ou um carro. A euforia dura pouco e logo tudo volta ao normal, o benefício conquistado não gera motivação adicional, mas se perdê-lo a motivação cai.
A teoria de Herzberg é antiga, porém, ainda hoje, fundamenta as mais modernas teorias da gestão do desenvolvimento humano. Estas novas abordagens transformam o “ringue” que se transformou a empresa, onde de um lado está o chefe e de outro o empregado para um ambiente de soma, harmonia, conciliação, colaboração, inovação e resultados. É como se virássemos uma chave e o chefe evoluísse para líder e o empregado para colaborador. Passam a lutar pelos mesmos propósitos e resultados.
Em momento nenhum o autor deste artigo afirmou que o salário não é importante, obviamente que é! Todavia, é fato que o salário isoladamente não motiva. A remuneração atrai os candidatos, mas não é o suficiente para mantê-los na empresa. Aqueles que buscam motivação exclusivamente pelo salário, abandonam seus postos para servir o primeiro concorrente que pagar um pouco mais. Segundo Herzberg, os fatores que realmente mantêm o ser humano motivado são: senso de justiça, metas, sensação de fazer parte de algo maior, ser ouvido, de exercitar criatividade, ser reconhecido, respeitado, saber que é importante para empresa, poder sonhar em crescer na empresa. A teoria de Herzberg vem de encontro aos maiores desafios na gestão de pessoas nos dias de hoje e permite que o chefe se transforme em líder e o empregado em colaborador com ganhos reais de produtividade e resultados para a empresa.
 

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