Chuvas são aposta para recuperação de reserva

Parque do Córrego do Veado, em Epitácio, foi atingido por incêndio na semana passada e teve cerca de 30% da área devastada

REGIÃO - ROBERTO MANCUZO

Data 29/07/2018
Horário 04:27
Roberto Mancuzo/Cedida - Alguns focos de incêndio ainda eram encontrados nesta semana Roberto Mancuzo/Cedida - Alguns focos de incêndio ainda eram encontrados nesta semana Imagem: Roberto Mancuzo/Cedida - Alguns focos de incêndio ainda eram encontrados nesta semana

Aos poucos a vida começa a se recompor na Reserva Florestal Córrego do Veado, em Presidente Epitácio. Há pouco mais de uma semana um incêndio consumiu cerca de 30% da área de preservação, matando flora e fauna em uma das regiões mais ameaçadas do Estado de São Paulo. Segundo Djalma Weffort, presidente da Apoena (Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar), responsável pela administração da reserva, a primeira etapa da recuperação agora é a chegada da chuva. “Há uma expectativa de que nesta próxima semana caia uma chuva na região e a partir disso é que poderemos planejar o que fazer para ajudar na recuperação da flora.”

Isto significa verificar quanto de água cairá e perceber o quanto a mata reage sozinha e em quais locais haverá necessidade de um reforço. “Podemos tanto trabalhar com adubação, como também plantar novas mudas”, diz. Após este trabalho de manejo, visando à recuperação, a reserva tende a se recuperar naturalmente, desde que não haja outra tragédia como a que ocorreu ou situações como ataque de formigas, crescimento exagerado de braquiária e outras espécies daninhas. “Não é possível falar em um tempo preciso para que a reserva volte a ser como antes, mas a gente espera que a água incentive as primeiras brotações e o verde surja logo na paisagem”, explica Weffort.

Incêndio

O fogo atingiu cerca de 300 hectares da reserva florestal, ou quase 30% da área, e chegou até a barranca do Rio Paraná, deixando um rastro de destruição. Além da morte de muitas espécies de vegetação, animais como cobras e tatus, além de moluscos e aves, foram os que mais sofreram com o fogo. “Foi muito intenso e a falta de chuva contribuiu mais ainda para que os prejuízos aumentassem. Temos hoje uma paisagem cinza, triste, na área que foi queimada e até mesmo nos locais onde as chamas não passaram houve reflexos por conta da fuligem”, diz Weffort.

Segundo o ambientalista, a polícia já apura as causas e a Apoena sustenta que uma das investigações a ser conduzida é que o fogo tenha sido criminoso. “Há muitos interesses de ocupação irregular na área de reserva. A perícia técnica da Polícia Civil já veio até o local e a Polícia Federal coletou também dados e informações. Além disso, há um trabalho ostensivo da Polícia Ambiental e neste ponto temos tranquilidade de que se tiver sido criminoso vamos chegar aos degradadores”, diz.

Djalma Weffort compreende, porém, que o processo de investigação corre ao lado de outra preocupação, que é manter o otimismo e a esperança. “Nosso olhar já encontra esperança na Reserva Florestal do Córrego do Veado. Já vemos alguns brotos, sementes que já foram espalhadas pelo ar e uma força incrível da natureza em se recompor. Vamos torcer”.

SERVIÇO

A Apoena é uma organização não governamental que conta com vários programas e projetos que são desenvolvidos a partir de um escritório no Pontal do Paranapanema, e com uma base de trabalho em reserva legal de assentamentos de reforma agrária, nas margens do Rio Paraná. Telefone para mais informações: (18) 3281-3371.

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