Dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) indicam que, em 2025, 69.165 raios foram registrados em Presidente Prudente. O número é 12,53% menor em comparação a 2024, quando ocorreram na cidade 79.081 descargas elétricas.
Docente do Programa de Pós-graduação em Geografia da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), campus de Presidente Prudente, o professor doutor José Tadeu Garcia Tommaselli explica que 2024 foi um ano um pouco mais chuvoso que 2025, o que se reflete em um maior número de dia nublados.
“Então, mais dias nublados, mais nuvens e, provavelmente, mais descargas atmosféricas. Então, o dado do Elat está consistente. O que explica isso é que a gente teve maior quantidade de dias nebulosos, o que eleva a probabilidade de mais raios, o que mostra, portanto, mais energia solar em 2025 do que em 2024”, detalha o especialista.
Corrente elétrica intensa que ocorre na atmosfera com típica duração de meio segundo e trajetória com comprimento de cinco a 10 quilômetros, o relâmpago passa a ser chamado de raio quando atinge o solo. O fenômeno, segundo o Elat, é consequência do rápido movimento de elétrons que fazem o ar ao seu redor se iluminar, resultando em um clarão e em aquecimento, que geram um som: o trovão.
Normalmente associados a tempestades com chuvas e ventos intensos, os relâmpagos são muito presentes no oeste paulista. De acordo com o Inpe, os raios podem ser perigosos e podem atingir diretamente uma pessoa. A chance de isso ocorrer é algo em torno de um para 1 milhão. Entretanto, a maioria das mortes e ferimentos não são devido à incidência direta e, sim, aos efeitos indiretos associados a incidências próximas ou efeitos secundários das descargas, normalmente associados com incêndios ou queda de linhas de energia que venham a atingir um indivíduo.
“A corrente do raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através de aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A extensão dos danos depende sobre a intensidade da corrente, as partes do corpo afetadas, as condições físicas da vítima, e as condições específicas do incidente”, destaca o instituto.
Conforme o Inpe, cerca de 20 a 30% das vítimas de raios morrem. “A maioria, por parada cardíaca e respiratória e, cerca de 70% dos sobreviventes, sofrem por um longo tempo de sérias sequelas psicológicas e orgânicas”, releva. “As sequelas mais comuns são diminuição ou perda de memória, diminuição da capacidade de concentração e distúrbios do sono. No Brasil é estimado que cerca de 130 pessoas morrem por ano atingidas por raios e cerca de 500 ficam feridas”, conclui.
Reprodução/Unesp

Tommaselli: “Mais dias nublados, mais nuvens e, provavelmente, mais descargas atmosféricas”