Dados da ASP (Aeroportos Paulistas), concessionária que administra o Aeroporto Estadual Adhemar de Barros de Presidente Prudente revelam que a movimentação de passageiros no terminal diminuiu 16,3%, ao passar de 309,7 mil viajantes, em 2024, para 259 mil, em 2025. No mesmo período, os pousos e decolagens da aviação regular recuaram 40,6%: foram 4.385 operações aéreas no ano retrasado, contra 2.604 no ano passado.
“A movimentação registrada em 2025 reflete, principalmente, a readequação da malha aérea ao longo do período, em decorrência do encerramento das operações da companhia aérea VoePass, após suspensão determinada pela Anac [Agência Nacional de Aviação Civil], em março do mesmo ano”, expõe a ASP. “À época, a empresa respondia por aproximadamente 35% da oferta total de assentos mensais do aeroporto, enquanto as companhias Azul e Gol representavam, respectivamente, cerca de 36% e 29% da oferta disponível”, aponta a concessionária.
O advogado e conselheiro da Abav/SP Aviesp (Associação Brasileira das Agências de Viagens do Interior do Estado de São Paulo), Marcos Lucas, afirma que os dados apresentados pela ASP representam uma retração nos passageiros atendidos no ano de 2025, em relação a 2024, enquanto, “na oferta, esse número era bem mais alto”. “Na verdade, a VoePass representava 40% da oferta de voos de Prudente, e 60% da oferta específica de assentos para São Paulo. Portanto, sua abrupta retirada do mercado, representou, sim, grande perda econômica para nossa regional, embora a questão ‘segurança operacional’ tenha total prevalência sobre a questão econômica sob quaisquer aspectos”, comenta.
Ainda para Marcos, a comparação demonstra que a demanda de passageiros continua respondendo “muito bem” na região. “E só não é melhor porque não temos mais oferta de voos e ainda porque há falta de concorrência, especialmente no trecho Congonhas, onde a Gol cobra valores, hoje, muito elevados, o que afastou boa parte dos usuários, que migrou para o transporte rodoviário, especialmente ônibus leito”, ressalta.
Procurada pela reportagem para comentar os apontamentos da Abav/Aviesp, a Gol Linhas Aéreas declarou que, como forma de melhor atender os clientes de Prudente e região, em 2025, a empresa ampliou a oferta de assentos na faixa de 16% e em 8% na quantidade de voos, na comparação com 2024.
“No ano passado, a companhia expandiu em 54% as operações com aeronaves maiores: 91% das operações em Presidente Prudente aconteceram com os maiores aviões da frota, o Boeing 737 800 e o Boeing 737 MAX, que contemplam 186 passageiros por voo – em 2024, 64% das operações foram realizadas com essas aeronaves, enquanto as demais, com aviões para 138 passageiros”, detalha.
Frisa ainda a empresa que, na baixa temporada de 2026 (2T26), ampliará em 65% a oferta de voos e em 42% a de assentos na cidade, em comparação com o 2T25. A partir de 29 de março de 2026, a rota Presidente Prudente (PPB)-São Paulo/Congonhas (CGH) passará a ter 10 frequências semanais diretas de ida e volta (20 nos dois sentidos), de segunda a domingo, com novo voo noturno saindo da capital paulista rumo a Presidente Prudente. “Até essa data, a companhia manterá as atuais seis frequências por semana, de segunda a domingo, exceto aos sábados”, encerro a Gol.
O representante da Abav/SP Aviesp afirma também que, para a entidade, o que compromete o desenvolvimento do oeste paulista é a “falta de comprometimento” da ASP, que já deveria ter iniciado as reformas do aeroporto, cujo prazo contratual venceu em abril do ano passado.
“Ela deve a ampliação para mais de 3.100 m² e, além de não iniciar a obra, ainda anunciou tamanho menor que o licitado, em desacordo contratual. Também deve o alargamento da pista para que a atual restrição operacional imposta pela Anac não atrapalhe ainda mais nossa cidade, em breve, e a ameaça de perder os voos conquistados ocorra, o que então seria uma tragédia para todos”, declara. “Onde estão, nesse momento, os políticos que prometeram a obra em dezembro de 2025?”, ainda questiona Marcos.
No dia 11 de janeiro, como noticiado neste diário, a ASP anunciou que havia iniciado a mobilização das obras de ampliação e modernização do aeroporto, cujos investimentos são da ordem de R$ 20 milhões. Na ocasião citou que era realizado o remanejamento de áreas para viabilizar a expansão da infraestrutura.
A UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região) chegou a cogitar uma visita técnica ao empreendimento, momento em que a concessionária mencionou que as intervenções previstas “representam um salto de qualidade na experiência do passageiro e preveem ampliação das áreas, além de oferecer mais comodidade, segurança e conveniência em todos os ambientes”. “A previsão é de que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2026 e mais informações sobre o projeto serão comunicadas oportunamente”, ressaltou a ASP.
A reforma, segundo a concessionária, promoverá a ampliação total do terminal, com área final de 2.639 m², mais do que o dobro da estrutura atual, e novo fluxo interno de embarque e desembarque. Além disso, estão previstas duas salas de embarque maiores, com climatização e acessibilidade aprimorada; dois portões de embarque, reorganizando o atendimento aos passageiros; três espaços de café e convivência, ampliando as opções de serviços para quem utiliza o aeroporto; e reformas gerais em acabamentos, sistemas elétricos, banheiros, sinalização e áreas de circulação.
Divulgação/ASP/Patrícia Lanini

Para Abav/Aviesp, demanda de passageiros continua respondendo “muito bem” na região
Arquivo

Marcos Lucas: “Gol cobra valores, hoje, muito elevados, o que afastou boa parte dos usuários”