Neste domingo, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. A data é uma ótima oportunidade para lembrar das mulheres que fomos, das que somos e das que ainda estamos nos tornando. Gosto de pensar esse dia como um convite para olhar com mais atenção para as histórias que carregamos. Hoje quero falar um pouco da minha versão mãe, uma das muitas formas de ser mulher em nossa sociedade e, talvez, uma das maneiras mais profundas de contribuir para formação (no meu caso) de mulheres conscientes, sensíveis e sábias.
Há nove anos, meu coração aprendeu que podia crescer sem se dividir. Quando Maria Clara nasceu, eu já sabia o que era ser mãe (a Sofia havia me ensinado) e achava que tiraria tudo de letra. Ledo engano. Cada ser é único, especial e tem necessidades próprias. Ao mesmo tempo, eu descobria o que era amar intensamente em dobro.
A chegada da Maria não diminuiu em nada o meu amor pela Sofia; ao contrário, expandiu tudo. De repente, eu não tinha apenas uma filha, mas duas histórias sendo construídas diante dos meus olhos. Ali estavam razões ainda maiores para eu querer ser melhor todos os dias.
Hoje, passados esses anos, percebo que o meu maior desejo é simples e profundo: que elas sejam amadas exatamente como são. Que enxerguem suas essências tão singulares, seus jeitos próprios, suas maneiras tão genuínas.
Infelizmente, sei que isso não acontecerá plenamente em um mundo tão acelerado, cheio de informações, estímulos e machismo ainda existente. É duro admitir que aquilo que nos torna únicos nem sempre é visto como algo valioso, mas, muitas vezes, como fonte de estranhamento. Às vezes, sinto que estamos todos um pouco perdidos, sem saber como agir diante de tantas mudanças culturais e de comportamento.
Sei que existirão dias difíceis. Dias em que palavras duras e gestos indelicados poderão feri-las. Diante disso, o que me cabe é orientá-las, fortalecê-las, lembrá-las de quem são e das mulheres incríveis que serão. Ainda assim, é doloroso aceitar que o mundo não as amará na mesma medida e da mesma forma que eu as amo.
A mãe quase sempre carrega a sensação de que poderia fazer mais: ensinar mais, orientar mais, acompanhar mais. Queria ter o poder de protegê-las de qualquer decepção ou sofrimento. Mas não tenho… e talvez nem devesse. A vida exige passos e escolhas próprias, caminhos que cada uma precisará trilhar sozinha. Isso faz parte do crescimento.
Hoje entendo que, acima de qualquer estratégia ou tentativa de controle, o que verdadeiramente posso oferecer é amor e apoio. Posso estar por perto. Ser porto seguro quando o mundo as fizer sentir pequenas ou indefesas. Ser o colo nos dias difíceis e sorriso nas conquistas.
O que me faz seguir em frente é vê-las brincando, se divertindo e compartilhando histórias. Nesses momentos, acredito que estou cumprindo meu papel com êxito. Há algo de muito certo quando as vejo rindo juntas, cúmplices, criando memórias que só pertencem a elas.
Ah, minhas filhas, se vocês soubessem o tamanho do amor que cabe em um coração de mãe. É um amor que torce em silêncio, que ora baixinho, que deseja segurar mesmo quando precisa deixar ir.
Há uma coisa que eu posso deixar como herança imaterial. É esse elo entre vocês. Lembrem-se sempre do nosso mantra: “uma tem que cuidar da outra”. Esse vínculo precioso precisa ser mantido. Que vocês sempre se tenham, apesar de tudo, acima de tudo.
Porque as coisas passam, mudam, mas a conexão entre vocês será sempre eterna. Vocês caminharão com as próprias pernas, mas sempre sabendo que terão para onde voltar quando precisarem... porque eu sempre estarei aqui, de braços abertos.