Comunhão dos santos

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 01/11/2020
Horário 04:15

A recusa de mediações é senão nova, uma versão atualizada de compreensão da vida – de si, do outro e das relações. Tal atitude é visível na crise da democracia – quando muita gente sonha com o ainda não vivido, sem sequer saber o que é, ou quando outras sonham com o já vivido pela humanidade, mas mesmo historicamente reprovado, quer novamente viver; também alcança a mediação do culto, especialmente dos santos, com desgaste e descrédito. Há quem apregoe sem cerimônia prescindir dos sacramentos e dos seus ministros, pois a Deus se pode ir direto.
No início de novembro, há duas especiais celebrações no calendário litúrgico católico: todos os santos e todos os mortos (Finados). Ambas fazem parte daquilo que no credo (profissão de fé) se chama “comunhão dos santos”. Como ensina o Catecismo Jovem, “pertencem à ‘comunhão dos santos’ todas as pessoas que colocaram sua esperança em Cristo e Lhe pertencem pelo Batismo, tenham elas já morrido ou vivam ainda. Porque somos um ‘corpo’ em Cristo, vivemos uma comunhão que abraça o céu e a Terra”. Ainda, “a Igreja é maior e mais viva do que pensamos. A ela pertencem conhecidos e desconhecidos, grandes santos e pessoas modestas, os vivos e os mortos, encontrem-se estes ainda em processo de purificação [purgatório] ou estejam já na glória de Deus. Podemos ajudar-nos mutuamente até para além da morte”.
Pode-se pedir ajuda aos santos mais queridos ou cujo nome seja o seu, inclusive aos familiares falecidos que se acredita já estarem em Deus. Também pode-se ajudar os falecidos ainda em processo de purificação, pela oração de súplica [e lucrar indulgências para eles]. Tudo o que uma pessoa faz ou sofre em Cristo e por Cristo torna-se proveitoso para todos; infelizmente, isso também significa, ao contrário, que cada pecado danifica a comunhão”. O apóstolo São Paulo ensinou que “se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele” (1 Cor 12,26).
Em 2018, o papa Francisco escreveu a exortação apostólica 'sobre o chamado à santidade no mundo atual', ressaltando que todos são chamados à santidade de vida e lembrando que há muitos santos ao pé da porta, isto é, gente santa que convive nos ambientes familiares, comunitários, sociais frequentados por todos. “Os Santos de todos os tempos não são simplesmente símbolos, seres humanos distantes, inalcançáveis”, mas “pessoas que viveram com os pés no chão; eles experimentaram a fadiga diária da existência com os seus sucessos e fracassos, encontrando no Senhor a força para se levantar e continuar o caminho”. Rezar uns pelos outros é alimentar a amizade no Senhor.
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!
 

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