Consciência histórica

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 08/04/2021
Horário 04:30

A consciência histórica é, segundo o historiador alemão Jörg Rüsen, a capacidade de nos percebermos como seres históricos, de entendermos o tempo e a história com algo intrínseco aos seres humanos. A relação consciente com o passado, o presente e o futuro, que a consciência histórica fornece, é o que permite com que entendamos as relações dos eventos históricos com o presente, contribuindo ainda para projetarmos um futuro com base nos erros e acertos do passado. 
Na semana passada, tivemos fundamental lição da importância da consciência histórica, do ensino de História nas escolas, e dos valores democráticos que alicerçam o Estado Brasileiro. A Ditadura Militar, parte do nosso passado, deve ser lembrada assim, como passado. Contudo, sua rememoração deve ser feita, exclusivamente, para lembrarmos do que ela efetivamente representou: suspensão dos direitos democráticos com o AI-5, fechamento do Congresso, perda de direitos individuais e coletivos, perseguições, torturas, mortes, exílios. 
E ainda, é importante termos consciência do país entregue pelos militares à sociedade civil em 1985. Crise econômica sem precedentes, dívida externa gigantesca, inflação de 242%, aumento da desigualdade social, da violência e a notória destruição da educação pública. Isso sem contar as mágoas e os rancores numa sociedade dividida e que a Anistia não conseguiu resolver. 

A rememoração da Ditadura Militar deve ser feita, exclusivamente, para lembrarmos do que ela efetivamente representou

Esse nefasto passado nos conduz a perceber as grandes conquistas advindas com a redemocratização, tais como a Constituição de 1988, a estabilização econômica após o Plano Real, a saudável alternância política, a diminuição das desigualdades, a consolidação das instituições, das liberdades individuais e democráticas.
Os professores de História têm cumprido muito bem seu papel, uma vez que pesquisa do Datafolha mostrou que 75% dos brasileiros apoiam a democracia e 78% consideram o período de 1964 a 1985 como uma Ditadura. Ao que tudo indica, diante dos acontecimentos da semana passada, mesmo entre a cúpula das Forças Armadas, o respeito à Constituição e ao Estado Democrático de Direito são valores pétreos. 
A par das pitorescas comemorações do Golpe de 1964 e dos impulsos golpistas que observamos, só mesmo a consciência histórica para nos indicar o caminho seguro da democracia. 


 

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