Dança dos vampiros

OPINIÃO - Raul Borges Guimarães

Data 12/09/2021
Horário 04:30

O último dia 7 de setembro foi o aniversário da menina que me transformou em vovô há mais de 14 anos. Salve a Marina, sua sapeca! 
Tal episódio teve muitas curtidas nas redes sociais. Não demorou muito para que Bia Abramo lembrasse que, curiosamente, nós havíamos nos conhecido quando tínhamos 14 anos. 
A lembrança da Bia foi detonadora de muitas ideias que passaram pela minha imaginação. Logo me vieram na cabeça as deliciosas aulas de história do professor Raimundo Bandeira Campos (que saudades!). Suas lições sobre o Feudalismo percorreram a minha mente como se fizessem parte de um filme. Estávamos em 1978. Eu acabava de chegar na escola e o professor Raimundo nos tratava como se fôssemos antigos confidentes. Para ele, era absolutamente normal associar as relações de poder entre os nobres feudais e seus vassalos com a “Dança dos vampiros”, filme britânico de 1967 dirigido por Roman Polanski.
Envolvido com a mistura lúdica de terror e comédia da película, não foi difícil me colocar no lugar do professor universitário em viagem pela Transilvânia, acompanhado de seu desajeitado ajudante. Era preciso salvar a bela donzela raptada pelo Conde Von Krolock e livrar uma cidade inteira do domínio dos vampiros! Quase no final do filme, o professor e seu discípulo aparecem no espelho do salão em contraponto à ausência de reflexo do grupo de mortos-vivos presentes no baile. Daí se atinge o clímax da trama, dando-se início à perseguição insana daqueles que ainda resistiam ao “banquete” dos vampiros... Cena de um filme como parte da realidade? Ficção do mundo?  
A minha turma dos 14 anos cultivava esse humor irônico polanskiano. Aprendemos com Raimundo que os filmes de Polanski dão essa impressão de que suas histórias poderiam se passar em uma época ou lugar diferente. Mas seria forçar muito a barra encontrar semelhanças dos últimos episódios tupiniquins com a “Dança dos vampiros”. O humor é uma espécie de crítica que perde completamente a sua força diante de pessoas que é preciso explicar a graça a todo tempo. O mundo anda muito melancólico...
Fala-se muito do impacto provocado pelo isolamento social nas crianças. Mas eu não tenho dúvidas de que foi muito mais difícil para sua turma dos 14 anos, não é mesmo Marina? 
A notícia boa é que vocês não perderam o humor. Cultivam o escárnio, o sarcasmo. Dizem que a ironia é o humor na forma de escudo, enquanto o humor na forma de arma chama-se de sarcasmo... Ou seja, apesar de aparentemente felizes, ficávamos muito mais na defensiva. Avante, menina!
    
 

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