De Anderson a Dan: o retrato de um ator 

Nascido e formado nas terras do interior paulista, Dan Rosseto levou para capital seu talento teatral e agora deseja trazer sua arte de volta à região que o criou 

VARIEDADES - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 01/03/2020
Horário 06:28
Cedida: Elenco da peça “Eles não usam black-tie”, de Guarnieri, que Dan atua e dirige  Foto: Cedida: Elenco da peça “Eles não usam black-tie”, de Guarnieri, que Dan atua e dirige 

Nascido em Dracena, o ator, dramaturgo, diretor e professor da escola de atuação e interpretação Wolf Maia, Anderson Braghin Rosseto, 40 anos, conhecido no mundo das artes como Dan Rosseto, se destaca no teatro paulistano, sendo reconhecido por seus trabalhos com prêmios e indicações. 

Desde 2001 morando na capital paulista, por lá trilhou o caminho que o levou ao reconhecimento, entre as obras teatrais das quais participou, ele destaca “Roleta Russa”, peça que estreou em 2015, na qual desempenhou seu primeiro protagonista. Também dá ênfase à parceria com o renomado ator Caco Ciocler, na peça “O Imperador e Galileu”, que estreou em 2008. Ele afirma que trabalhar com Caco foi uma grande escola, gostava de vê-lo atuar e assim aprendia muito.

Como diretor, ressalta que seus trabalhos foram diversificados, desde monólogos a musicais. Os destaques, na visão de Dan são “Eles não usam black-tie”, adaptação da peça de Gianfrancesco Guarnieri, “é o povo no palco, fala sobre a organização de uma greve e estreou em 2018, pouco antes da greve dos caminhoneiros que mexeu com o Brasil”, recorda. Com musical “Lisbela e o prisioneiro” (2015), ele viajou o Brasil inteiro e com o teatro “Visceral”, está indicado ao prêmio Shell de 2019, cujo resultado é divulgado em março.

Seu trabalho como dramaturgo, escritor de peças teatrais, é mais recente e já acumula bons frutos. Pela peça “Manual para dias chuvosos (2014) foi indicado a melhor drama. Já em 2017, com “Enquanto as crianças dormem” venceu melhor dramaturgia no Prêmio Aplauso Brasil. A peça do ano passado, “Nunca fomos tão felizes”, por sua vez, tem uma das atrizes indicada à melhor atriz coadjuvante no mesmo Prêmio.

 

SEUS GRANDES PROFESSORES 

A paixão de Dan pelo teatro é antiga, mas a decisão de ser ator só ocorreu quando era universitário, no final dos anos 1990. Desde pequeno, servia de figuração nas encenações de sua mãe para a paixão de Cristo. Era encantado por aquela magia, no entanto, “naquele momento não passou disso”.

Foi em Presidente Prudente que a história começou a mudar. Sua primeira escola de teatro foi a Clarin, que na época estava sediada em uma casa onde, por coincidência, há alguns anos Dan havia morado. Por lá permaneceu um ano, até iniciar o curso de Comunicação Social na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), em 1997. Quando estudante, entrou no grupo de teatro da universidade, cujo diretor era José Fábio Sousa Nougueira, atual secretário de Turismo de Prudente. “Foi o Fábio que me educou, se não tivesse essa experiência, talvez hoje não estivesse fazendo teatro”, afirma. A admiração de Fábio Nougueira é recíproca. Ele afirmou que Anderson, como o chama, foi o melhor ator que já dirigiu.  

Dan, ao terminar a faculdade em 2000 foi a São Paulo (SP), onde cursou cinema e se pós-graduou na área da comunicação. Por lá aprendeu muito, tendo estudado com Fátima Toledo, importante preparadora de elenco do cinema brasileiro. “Sua dinâmica de trabalho que vasculha o ser humano me faz lembrar o Fábio”, revela. 

Em 2006 o artista, pai de Enzo, 10 anos, e Anna Luíza, 7 anos, começou a dirigir teatro e mais tarde a escrever, nunca se desvencilhando da atuação. Dan afirma que quer, e tem conseguido, reconhecimento e não fama e espera que surjam oportunidades para trazer suas peças à Presidente Prudente, algo que nunca ocorreu. “Acho interessante quando alguém da cidade, num setor cultural tão sucateado, tem uma história interessante de batalha”. Te esperamos, Dan! 

“Acho interessante quando alguém da cidade, num setor cultural tão sucateado, tem uma história interessante de batalha”
Dan Rosseto

 


Cedida

Dan é ator, diretor, dramaturgo e professor de atuação e interpretação 

 

 

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