De Pernas Pro Ar

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que não chuta cachorro morto e nem cadela morta

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 24/10/2020
Horário 05:30

Mais do que nunca o nosso mundão velho sem porteira está de pernas e braços pro ar. Se preferem outros exemplos comparativos, o mundo também está de ponta cabeça e do jeito que Deus não gosta. Tem cada coisa acontecendo por aí que deixa até o Dalai Lama constrangido.
Vocês podem até pensar - com razão - que O Espadachim é um cronista que costuma exagerar. Nada disso, seu Dílson. Acabei de saber que em alguns países asiáticos há pais que estão dando os nomes de Covid, Corona e Lockdown aos filhos recém-nascidos.
Numa cidade das Filipinas, uma bebê recebeu o nome de Covid Marie. Isso mesmo: Covid Marie. Coitada dessa menina. Vítima potencial de bullying na adolescência. Outras crianças foram registradas com os nomes de Corona e Lockdown, palavra que significa confinamento. 
Que se passa? Os pais desses bebês enlouqueceram? Piraram de vez? Ignoram as consequências futuras para pessoas com nomes tão, digamos, exóticos. Por favor, chamem o doutor Freud. Mas, quando se trata das Filipinas, lá tudo parece possível. 
Na Semana Santa, por exemplo, alguns filipinos levam a sério o martírio de Jesus Cristo. Não satisfeitos com o brutal açoitamento, pedem para ser crucificados de verdade, ou seja, com pregos nas mãos e nos pés, ao contrário da encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, onde Jesus sai ileso, sem um arranhão.  
O presidente desse país asiático é doidinho da Silva. É um tal de Rodrigo Duterte, que não fala coisa com coisa, nem lé com cré. Esse sujeito ameaçou abater a tiros quem desrespeitar a quarentena, mas ainda bem que, ao que parece, ficou só na ameaça. Duterte parece amar as armas e não se preocupa com os protestos, aliás, raros. Coitados dos filipinos, governados pelo Trump asiático.
Por falar em presidente, lembram do dia em que o Mito Messias respondeu com outra pergunta ao ser indagado por uma repórter sobre o avanço do coronavírus, que já matou mais de 150 mil brasileiros? "E daí?", perguntou, lembrando que é "Messias, mas não faço milagre". Então, pelo menos faça milhões de testes na população.
Quando uma pessoa diz "E daí?", no fundo e no raso está sendo agressiva. Significa que não gostou de ser questionada. Me lembrei - ou lembrei-me (para deixar a crônica "sofisticada") - do belo samba "E daí?", de Miguel Gustavo, gravado pela lendária cantora Isaurinha Garcia no fim da década de 50 do século passado. 
Participou da gravação o organista pernambucano Walter Wanderley, então marido de Isaurinha e que divulgou a bossa nova nos EUA (crônica também é cultura). Com o mundo de ponta cabeça, com bobalhões governamentais falando abobrinhas e outros legumes, a bossa hoje em dia e hoje em noite é outra. Trocaram o segundo S pelo T. 

DROPS

A seca está tão braba que falta água até para os pingos nos is.

Europa em alerta com agravamento da pandemia. O Brasil nem aí.

Errar é humano. Persistir no erro é o que mesmo?

Homem que é homem não diz palavrão. Educadamente, diz palavrinha.  
 

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