De volta para a escola

OPINIÃO - Raul Borges Guimarães

Data 10/10/2021
Horário 06:40

Nunca imaginei que viveria um período com efeitos tão impactantes como foi o da pandemia. Fomos arremessados a uma convivência ainda mais intensa pelas redes sociais e, ao mesmo tempo, limitados nos mais banais contatos físicos da vida cotidiana. Beijos, abraços, apertos de mão fazem parte dos costumes brasileiros… lembra-se?
Faz parte do trabalho do professor encontrar pessoas. Tocá-las. Olhar para elas. Sem dúvidas o ato de ir à escola é um processo indescritível. Não estamos falando aqui apenas da transmissão de conteúdos, mas da sociabilidade, das trocas de afeto na convivência do dia-a-dia, do compromisso um com o outro de estar ali ocupando um espaço, realizando um projeto, refletindo sobre erros e acertos. Acho que os jovens entendem bem a importância de ocupar o espaço da escola, de sentir-se protagonista, de projetar seu próprio futuro com os outros. Esta energia transformadora faz muito bem. É rejuvenescedora... Como dizia meu mestre, professor Maurício Mogilnik, quem fica mais velhos são os nossos alunos… nós professores somos sempre rejuvenescidos pelas novas turmas que chegam na escola, com suas demandas, seus anseios de mudança!
Por tudo isso, eu não acredito que a escola seja um espaço que será substituído pelo ensino remoto. Pelo contrário, nós tivemos que desenvolver nosso trabalho pelas redes sociais porque não havia outra forma, mas o impacto do isolamento social na educação foi enorme. Muitos jovens ficaram para trás, abandonaram a escola ou acumularam vários tipos de dificuldades. O ato de estar lá ganhou urgência… Quantas palavras entaladas na garganta?
Apesar desta urgência, o retorno à vida normal da escola não está sendo fácil. Nem sabemos mais o que é este normal. Afinal, a pandemia ainda não acabou. O vírus circula entre nós e continua fazendo vítimas. Você volta para a escola, mas não pode tocar nas pessoas, não pode dar aquele abraço gostoso, não pode tirar a máscara. Os professores estão muito cansados. Há certa tristeza no ar… relatos sobre algum parente ou vizinho que foi infectado pelo vírus, vidas perdidas, famílias dilaceradas pela Covid-19. Vamos levar muitos anos para cicatrizar as feridas.
Mais do que nunca a escola é um espaço imprescindível. Até mesmo porque se somam muitos outros problemas que havíamos adiado ou esquecido, mas eles estão aí: falta de água, fome, emprego. Que venham os jovens… sejam bem-vindos à escola!
 

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